Fátima Nascimento Já não é a primeira vez que entro no banco e me deparo com aquele cartaz que incentiva à poupança! Se calhar, é por isso que os actores estão com aquele ar de gozo! Só podem estar a gozar! E não é connosco! (Ou, pelo menos, assim espero!) Só deverão estar a gozar a instituição bancária que lhes deve ter pago um bom dinheiro, para fazerem aquela figura! Nada tenho contra os actores! Nada tenho contra as poupanças! Só penso é que estão, na altura errada, a pedir a coisa errada! Pelo menos à maioria dos portugueses que é a maior camada social e que ganha o suficiente para sobreviver! Sim, sobreviver porque o que se ganha neste país não dá para viver! Bem longe disso! E agora ainda nos vêm pedir para pouparmos como que a insinuarem que somos gastadores? Há-os de facto! Mas, aqueles que sempre tiveram pouco, como poderiam gastar ou poupar? O mesmo se passa agora em plena crise! Os salários não aumentam, retiram o subsídio de Natal, aumentam os preços, os direitos dos trabalhadores estão ameaçados com o fantasma da crise… Neste panorama, alguém ainda pensa em poupar? Se alguém tiver uma varinha mágica! Temos o essencial para sobreviver e chegamos ao fim do mês a contar os trocos! Estamos a ver onde podemos poupar, mas não nos deixam. Em 2012, vamos começar a pagar o que não gastamos. Isto é um roubo! E estamos a ser roubados pelo organismo de gestão estatal que deveria proteger o povo português! Vejamos a situação de um professor, por exemplo, longe de casa, com horário incompleto… preciso dizer mais? E os desempregados, como passam a sobreviver? Ninguém parece pensar neste assunto! Em tempos de crise, não só é pior como é o povo quem mais sofre e menos ordena! Sim, porque nunca lhe perguntaram nada! Partem do princípio que é ignorante e não sabe avaliar convenientemente as situações económicas e políticas. Vejam os políticos e os economistas! Já toda a gente percebeu que não pescam nada do assunto. E quando se meteram nessas situações não a avaliaram convenientemente. A União Europeia era, para nós, a tábua de salvação, para se tornar, poucos anos depois, o nosso "Titanic" como referia Miguel Sousa Tavares, num seu artigo recente, saído num dos semanários portugueses. E o povo, ao contrário do que os governantes possam pensar, sabe avaliar, deviam ouvir as conversas de café! Eles chegam lá tão depressa! E não se enganam, ao contrário dos governantes que se fartam de meter o pé na argola! Toda agente acredita no país mas ninguém acredita nas pessoas metidas nos órgãos governamentais. Há crise, sim, até institucional! Ninguém acredita em ninguém! O povo escolhe dentro da mediocridade disponível, porque não há alternativas! E, por muito que façam ou digam, não há nenhum bem visto na fotografia!