Nas ruas do nosso Funchal…as luzes, as ornamentações, a azáfama nas ruas, os cheiros natalícios e as músicas já fazem lembrar aquela que é a maior quadra festiva do ano, o Natal. Mas será que este Natal é celebrado com o seu verdadeiro propósito, nos nossos dias? A cultura do "nosso" Natal tem vindo a se alterar com o chegar dos novos tempos. Privilegia-s o consumismo, a correria desta sociedade, e depois acabamos por trabalhar um ano inteiro para um único dia que, ao chegar, passa bem rápido e nem damos pelo tempo passar. De facto é incrível quando vemos que para o comércio e não só, o Natal começa já muitos meses antes com muita propaganda e elementos alusivos ao Natal, e quando se chega a esta quadra já estamos cansados de ver mil e um enfeites e propagandas, e o pinheiro de Natal que é típico desta festividade, torna se banal pois fica exposto praticamente todo o ano. E outro fenómeno que se começa a evidenciar é o facto de no dia de Natal, já se começar as ver estabelecimentos abertos, e mais… as famílias a irem almoçar fora e tudo mais, sabendo dentro de mão que para isso ocorrer, tem que haver famílias que abdiquem do seu Natal para estar a garantir estes serviços. É tempo de crise é verdade, mas eu acabo por me questionar qual será a maior crise…a crise económica, ou a crise de valores, a perda da nossa cultura? Tem se esquecido a verdadeira cultura do Natal…a vivência em família, o aproximar, o aconchego, as visitas aos familiares e convívios, mas sobretudo aquele dia que deveria ser um dia diferente de todos os outros, tem se tornado algo vulgar. Por outro lado gostaria de salientar que nem tudo está perdido…pensemos nas nossas tradicionais Missas do Parto, que fazem parte integrante da nossa cultura madeirense e que há uns anos para cá tem congregado cada vez mais pessoas, desde os mais velhos aos mais novos, num espírito de muito convívio e partilha. Aproveitemos esta embalagem, exemplos como este para viver intensamente este Natal, não esquecendo que não pode ser vivido apenas para um dia, mas sim para um conjunto de dias que dão riqueza a esta quadra natalícia. Aì está o segredo da verdadeira cultura do Natal.
João Francisco Dionísio - Colaborador AAUMa