Tenho amigos Luíses e Luísas. Todos temos. Todos eles acrescentam. Acrescentam-nos com a sua forma de ser, com as suas opiniões, ou, simplesmente, estando; estando nos momentos mais e menos conseguidos dos nossos percursos. Vou falar em particular de um deles: o Luís Osório; ainda que com ele ou através dele recorde e saúde todos os amigos Luíses e Luísas. O Luís nasceu em 1971. Somos da mesma geração, ainda que eu seja um ano mais velho. Cruzei-me com a sua escrita e investigação em 1999, por ocasião do seu livro 25 anos 25 nomes, um tributo aos 25 anos do 25 de Abril. Do livro resultam 25 entrevistas a personalidades da vida pública portuguesa. Da esquerda à direita, da política às artes, o Luís entrevistou Otelo Saraiva de Carvalho, Álvaro Cunhal, Mário Soares, Adriano Moreira, Freitas do Amaral, José Cutileiro, entre muitas outras pessoas. Retive da sua leitura a oportunidade do livro, a excelência e lucidez dos entrevistados, mas, acima de tudo, a maturidade e o conhecimento profundo do jovem Luís Osório na altura com 20 e alguns anos. Resultado desta boa surpresa, fui seguindo o seu percurso. Em 2006, conhecemo-nos no jantar de encerramento das Jornadas de Psiquiatria da Madeira. Lembro-me que falámos bastante. Esta proximidade foi sendo alimentada posteriormente em Lisboa, pela feliz circunstância de vivermos perto. Cruzamo-nos algumas vezes, falamos sobre tudo ou simplesmente sobre coisa nenhuma, ficando sempre a ideia de que esta amizade nos preenche mutuamente. Mas qualquer amizade deve ser preservada e alimentada. É isso que procuro tributar nestas linhas. Para além deste rico contacto, os textos diários do Luís são de leitura obrigatória. Não são clássicos artigos de jornal, posteriormente compilados em livro. São pequenos textos de fácil e interessante leitura. Convivo com eles durante o meu passeio diário na net. Aproveito por isso para partilhar 2 dos seus últimos textos.

“Podemos ter os melhores mestres, frequentar escolas de elite, ler romances e ensaios, chorar nas peças de teatro e ver os filmes que marcaram a história - com tudo isso brilharemos à mesa. Mas o único sítio onde tudo se joga e aprende; o lugar em que aprendemos a juntar as peças do que vemos, ouvimos ou sentimos é o interior de cada um de nós. Aí não digerimos apenas o que comemos - existe aí um lugar encantado ou por encantar onde podemos escolher ser livres, idiotas, absurdos ou generosos. Aprender não é um privilégio dos que podem escutar os sábios, aprender é domesticarmo-nos por dentro.”

“Nada há mais compensador na realidade física do que o sexo. Quando nos fundimos no outro parecemos ser um apenas; e mesmo quando corre mal, ou não tão bem como desejávamos, há qualquer coisa em nós que ameaça estalar. Mas o amor é outra coisa, encontramo-lo noutros territórios. Por isso ambiciono achar alguém a quem amar e com quem possa envelhecer - única forma de, num dia que espero distante, fundir-me apenas com o olhar e um gesto. Porque os homens e as mulheres quando envelhecem, e retiram da vida o suficiente, já não têm sexo nem urgências. São anjos em espera “

Neste tempo de dar e receber, obrigado Luís por contribuíres para uma boa e confortável reflexão.

Bernardo Trindade, Director de Projectos Porto Bay