Os madeirenses sofrem como nunca. Em silêncio, para não agravar a miséria. Em modo de sobrevivência, para tentar honrar compromissos. Na versão palpite, para não destoar de quem manda. E assim consentem estranhamente uma penalização atroz. Para o caso pouco interessa que seja simples, dupla ou tripla. O que se sabe é que, por muito menos, "o garrote" de 2007 motivou lamentos consequentes e eleições antecipadas. Muitos madeirenses toleram incompreensivelmente um assalto sem precedentes: que tenham menos rendimento disponível na conta e passem agora a pagar mais pelo que consomem; que os partidos gozem de estatuto excepcional e vergonhoso, mantendo um 'jackpot' de mais de 5 milhões de euros que paga campanhas eleitorais e favores duvidosos; que cortem no crédito; que em situação de "emergência nacional" a Região continue a optar por manobras de provocação e a reincidir em práticas condenáveis, feitas de gastos supérfluos, viagens dispensáveis e de fantasias escandalosas; que se confundam prioridades e ponham em causa a economia; que haja menos Autonomia à conta da irresponsabilidade do 'coveiro' e dos seus cúmplices; que se ajustem contas internas no PSD de cá e lá com o dinheiro dos contribuintes... A classe política dominante especializa-se em humilhar o seu povo, a quem tira direitos, meios e sonho. Pouco sobra, a não ser património imaterial, dignidade, alguma consciência cívica e pouca vontade de indignação. Rendidos às manobras de diversão, imagem de marca de governos incompetentes e incoerentes, continuam a enganar os que manipularam na última campanha. Todos se lembram quem é pródigo em contradições, lapsos e mentiras. Quem disse em Setembro passado: "Os madeirenses não vão pagar mais impostos que eu não aceito isso, já disse isso claramente"? Foi tudo tão claro, que o secretário regional do Plano e Finanças confirmou na passada semana que o Governo madeirense vai equiparar os escalões do IRS e IRC às taxas praticadas no restante território nacional. O resto da factura alusiva à perda de diferencial do IVA segue nesta edição. Dói saber que o sacrifício colectivo de nada servirá. O descalabro financeiro da Madeira revelou total irresponsabilidade na gestão de impostos. E não houve emenda, como se verá dentro de dias, quando novo relatório sobre as contas regionais for conhecido. Ventura Garcês Secretário regional Está finalmente resolvida a "insuficiente atribuição de competências ao secretário regional do Plano e Finanças ao nível do controlo prévio dos actos geradores de despesa pública". Agora só falta que o deixem falar a horas decentes na ALM. Celso Almeida Médico Não está só nas críticas que fez ao serviço regional de Saúde, aos médicos que assaltaram o poder, às nomeações por amizade e parentesco. Os reparos não curam os males já feitos. Mas ajudam a evitar que o doente sofra mais do que é natural. Filipe Sousa Líder do JPP O movimento 'Juntos pelo Povo' revela-se atento às oportunidades. Louva-se o desejo de crescer na política regional. É uma forma de dignificar e renovar a democracia, bem mais importante do que baralhar as contas nas 'autárquicas'. Duarte Rodrigues Presidente da ACIF Na entrevista ao DIÁRIO, denunciou vários "tiros nos pés" que estão já a afectar a frágil economia insular e apontou as prioridades para quem quiser sobreviver. Os empresários querem apostas claras no Turismo e no CNIM . O Governo leu? Tolentino Mendonça Padre A qualidade do seu trabalho e dedicação ao mundo das artes, ciências e letras leva a que seja nomeado consultor do Conselho Pontifício para a Cultura. Uma escolha acertada de Bento XVI para reforçar o diálogo entre a Igreja e a sociedade.