Afinal suas excelências os craques do marítimo, nacional, união e outros que tais, viajam á custa do "zépagode"!? - Quem diria!? Ouvindo os seus mui dignos presidentes botar palavra, jamais imaginaria que o erário público, outrora apelidado de povo superior, também se prestava a tamanho altruísmo. Contratações milionárias, rescisões principescas, receitas europeias, e a gente a pagar as viagens? - Arrota pelintra e faz-te lorde. A treta de associar futebol a turismo vem sustentando esta grande fraude. Três milhões em viagens para o desporto, aprovados pelo mesmo punho e mesmíssima cabeça que autoriza meia dúzia de euros em viagens para as artes, no seu todo. Escandalosa e dolosamente bloqueou-se o desenvolvimento do pilar mais importante para uma qualquer região turística, que é a cultura. Em simultâneo diminuiu-se a capacidade crítica a toda a sociedade, que é notória e que teria com certeza evitado muitos dos atropelos cometidos, especialmente ao nível do património paisagístico. Ana Bacalhau dos Deolinda afirmou recentemente que o poder político receia o poder da música. José Agostinho Baptista, madeirense e poeta, de volta á sua terra, olhou e opinou sobre o que viu e em menos tempo do que o diabo esfrega um olho, estava de novo de abalada. Forçado! A crise vem aí, não tarda e traz o condão de acabar com a vergonha dos apoios ao futebol profissional. Forçado! As Câmaras da região têm a soberana oportunidade de, com apenas dez por cento dessas verbas, dinamizar todo o concelho com actividades culturais, envolvendo toda a comunidade local, atraindo os turistas e criando receitas.

Eurico Martins, Director da Orquestra de Bandolins da Madeira