Durante a recente Feira de Turismo em Londres, a World Travel Market, várias reuniões aconteceram, a maioria delas protagonizadas pelos "patrões" da operação turística mundial. E, coincidência ou não, as três palavras acima mencionadas, foram sistemática e frequentemente utilizadas. Porque uma delas, a resiliência, não é muito comum (apesar de estar francamente na moda, por motivo óbvios) passo a referir o significado dado pela enciclopédia Wikipedia: "Conceito psicológico emprestado da física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, stress, etc - sem entrar em surto psicológico. No entanto, Job (2003), que estudou a resiliência em organizações, argumenta que a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade. Assim entendido, pode-se considerar que a resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para enfrentar e superar problemas e adversidades." Se ao nível do mercado global e fruto do crescimento exponencial da oferta, todos os destinos turísticos e respectivos agentes, procuram desesperadamente se diferenciar, essa missão não se encontra ali ao dobrar da esquina e, como tal, exige uma pesquisa apurada de quais são os principais factores de competitividade e de luta contra a adversidade de um destino como o nosso e que novos conceitos se pode trazer para a "ribalta". Até porque, produtos generalistas e indiferenciados podem justificar-se em zonas onde as economias de escala são "o" contributo para a sobrevivencia do destino, mas nunca numa situação como a nossa. Do levantamento das nossas efectivas mais-valias (porque as temos e muitas), à política de acessibilidades externas (e não estou a falar só de taxas aeroportuárias), aos calendários e diversificação de eventos, à elencagem de urgência e prioridades na concretização de: 1) infra-estruturas turísticas (e aqui falo por exemplo dos acessos ao mar e à serra); 2) promoção orientada para a fixação e aumento de operações turísticas prioritárias e fundamentais para a manutenção deste destino turístico, são alguns exemplos de um desafio inadiável à nossa capacidade de RESILIÊNCIA. E ela será mesmo necessária. Desta vez não vale a pena esperar exclusivamente pelo "alguém" que nos resolva os nossos problemas, pois estes ultrapassam e muito o "seu" círculo de competências ou de "relações privilegiadas". Os recentes "boatos" e "agoiros" sobre a eventual equiparação tributária ao resto do País (Continente) em sede de IVA (e eventualmente de IRS e de IRC), com segredo tão bem guardado entre os nossos Governantes regionais, é bem um desafio à nossa capacidade em fazer face às adversidades. E porque estamos a falar em capacidade de as superar , o meu reconhecimento pela excelente infra-estrutura que é a "promenade" gerada pelo Cais Norte do porto do Funchal. O número de referências feitas por turistas, associado ao prazer que se tem em ver tantos madeirenses a usufruir deste novo espaço de lazer, não pode passar desapercebido e sem referência muito positiva. Um obrigado e congratulação também pela iniciativa de José Manuel Rodrigues em levar por diante a proposta de alteração do subsído de mobilidade para os residentes na nossa Região, nas suas deslocações ao continente português. A introdução de um conceito assente num desconto percentual, de 50%, como no caso das Canárias, permite conciliar os interesses do cidadão e das transportadoras, de uma forma muito mais eficaz e justa do que a que está actualmente em vigor. Até porque são em muitos casos escandalosas as diferenças entre tarifas "efectivamente" praticadas entre Lisboa e a Madeira e entre a capital e outras cidades europeias, muito mais distantes e por conseguinte mais onerosas. E porque estamos a falar de conciliação de interesses, para quando o retomar de reuniões tri-partidas (para o futuro com mais intervenientes transportadores) havidas na altura entre o Governo Regional, a TAP e a ACIF, que tanto interesse e partilha de informações trouxeram? Que bons contributos poderiam gerar para as áreas dos transportes e do turismo!

António Trindade, Empresário