O Natal tem um feriado religioso e tem também um mês gordo de subsídio. Conquistas de um povo -agora domesticado-, que neste ano, ainda não viu a Igreja negociar o feriado de 25 de Dezembro, nem o Governo retirar-lhe todo o subsídio, -que mais do que satisfazer mimos que acalmam um comércio em penúria-, serve sobretudo, para reequilibrar contas. O ano novo, já sabemos que será bem menos "Próspero", pois a prosperidade que até agora a maioria dos portugueses conheceu, -com o rendimento médio dos mais baixos da eurolândia-, era afinal um estilo de vida "acima das nossas possibilidades" com muita preguiça pelo meio, pois aos olhos da medíocre liderança europeia e nacional, temos que nos aproximar da competitividade escancarada. Isto, quando algumas multinacionais europeias e americanas instaladas nos subúrbios chineses, atraídas pelo trabalho barato, começam já a conhecer a contestação e greves do gigante oriental. Até os chineses já se cansam de serem competitivos à custa da exploração laboral. Mas, na Europa-berço da democracia ocidental, esta franja de tecnocratas imbecis, fascinados pelo monetarismo voraz e de visão umbilical, preferem atender aos apetites do capital, sem terem o estadismo, de atenderem a voz da democracia, que lhes permitiu tacho, mordomias, e subvenções vitalícias. Para os crentes da liturgia católica, este período de "Advento", é um tempo alegre de preparação à chegada do Messias. Ora, os portugueses com mais ou menos fé, e até este nosso governo da devota direita e estupidificado, nem dá esperança que a austeridade traga melhor advir. Vou "pedir" neste Natal, Democracia e Autonomia, pois para o ano, poderemos estar já deslocados numa gruta com manjedoura, sem Reis-Magos e longe da nossa "zona de conforto". Por agora, votos das Festas "Possíveis".

Donato Macedo, Licenciado em CCO