Carlos Neves E pronto. Acordei, abri a janela e lá estava ela (ver 'Flagrante'), surgida do nada e plantada a meio de uma zona habitacional da cidade do Funchal. Incrédulo e relutante pensei voltar para a cama para terminar o sonho pois aquela imagem não podia ser a da baía deslumbrante da minha cidade. Ainda a dormir pus-me a divagar se seria - a exemplo de Auschwitz - a primeira torre de vigia para o novo bairro de São Gonçalo. Infelizmente era mesmo real. Alguém possuidor de uma mente brilhante tinha encontrado um ponto ideal para construir uma torre de comunicações de proporções gigantescas ainda por cima pintada de vermelho e branco, talvez para evitar os aviões que proliferam naquela zona. Esclareça-se desde já que sou suspeito nesta matéria de torres. Sou radioamador e tenho uma torre em casa com 32cm de diâmetro, e que se eleva 3 (três) metros acima do telhado, e que com ela falo para qualquer parte do mundo. Para quem não sabe, a orografia do Funchal permite cobrir electromagneticamente grandes áreas de pontos mais altos - que são sobejamente conhecidos de qualquer vulgar engenheirinho de telecomunicações - por isso penso que, o que aqui está em causa, é apenas uma questão de custos (o terreno foi oferecido?) e não de opções técnicas viáveis. Para quem conhece a cidade, sabe que existem outros pontos na cidade onde já existem algumas infra-estruturas de comunicações que podiam ser partilhadas por diversos operadores de telecomunicações, mas que por razões de concorrência (ou não fôssemos portugueses) não partilham os locais, preferindo conspurcar o resto da cidade. Não faço ideia - nem quero saber - a quem interessa uma torre daquelas naquele local, mas sei que com a tecnologia actual é possível colocar antenas em edifícios, ou em fachadas perfeitamente integradas no ambiente envolvente, sem chocar os residentes e muito menos aqueles que nos visitam. E para terminar, sei que a ANACOM não tem competências para impedir este atentado, mas penso que a Câmara Municipal tem regulamentos e poder para fazê-lo. Haja boa vontade e bom senso.