
Há uns anos, entre os adeptos do futebol, corria a célebre piada em que se dizia que os sportinguistas já tinham calos nas mãos de tanto as esfregar e dizer: “Este ano é que é”. Foram 18 campeonatos seguidos, mas finalmente lá conseguiram quebrar o jejum. Deve ser mais ou menos assim que estão os poucos adeptos social-democratas madeirenses que ainda acreditam que haverá sucessão no partido, dentro da sua esperança de vida.
A primeira vez que o líder disse que ia embora foi na década de 80 do século passado, depois era em 2000, em 2004... até hoje. Ou melhor, até sábado. Desta vez, assumiu que irá pensar na sucessão e, ao contrário do que sempre prometeu, vai interferir no resultado.
Esfregam as mãos os poucos que acreditam na promessa, sobretudo porque o líder já disse que vai riscar quem não interessa e deixar o caminho livre para o delfim escolhido. Se esse acreditar, pode começar a treinar os discursos e a pose.
O chefe prometeu afastar os poucos que o contestam - mesmo que a crítica seja uma mera constatação da evidência de incompetência para lidar com a situação actual - e quer assegurar uma sucessão tranquila. Esqueceu, claro, a garantia dada, há alguns anos, de que seria o partido a escolher e que não havia sucessões monárquicas. Mas como também é prática no futebol, o que hoje é verdade amanhã é mentira.