Jardim partiu ontem para Bruxelas. É a terceira vez que o faz em menos de dois meses. Não é público o que é que o leva de novo ao centro da Europa. Da agenda oficial da presidência do Governo Regional disponível na Internet nada consta. Aliás, no site oficial as actividades presidenciais pararam a 24 de Novembro.

Presume-se que tenha ido em missão oficial. Talvez para pedir conselhos a Durão Barroso sobre como lidar com a ‘troika’ e as exigências que afectam definitivamente a praça financeira madeirense. Seria uma viagem por uma boa causa. Também pode ter ido arranjar contributos do plano de resgate que tarda em ser apresentado em Lisboa. Quem não sabe pergunta e mais vale a humildade governativa do que arrogância que penaliza a qualidade de vida no presente e compromete o futuro de várias gerações. Se foi por isto e trouxer soluções tem desculpa, apesar do abuso de confiança, do mau exemplo em tempo de contenção e da fuga à necessidade de ultimar decisões difíceis.

Se foi para reflexões estéreis alegadamente alusivas à importância das regiões no contexto europeu, para reuniões inconsequentes de choradinho ultraperiférico ou para tentativas de pressão para as quais não tem jeito, para além de gastar desnecessariamente mais uns milhares de euros ao erário, denota que anda distraído. Ainda na passada sexta-feira, Braga de Macedo veios às boicotadas mas resistentes ‘100 maiores’ deixar claro que as periferias são por natureza um factor a explorar por quem percebe que a internacionalização é urgente, sem ter que mendigar mundos e fundos.

O líder madeirenses pode ir às compras, arejar a cabeça e combater o stress onde e com quem quiser. É a sua vida. Mas que pague pelos seus caprichos e tenha a honestidade de descontar dias. Lembre-se que os remediados e generosos madeirenses podem fartar-se de dar para o peditório público que não gera retorno, produtividade, crescimento económico, paz social e alegria de viver. Resta-lhes aprender com o tempo que a exigência da cidadania responsável não se esgota no acto eleitoral e que não é tolerável o silêncio estratégico sobre coisas essenciais, a recusa de entrevistas incómodas, a fuga a inconveniências e as constantes manobras provocatórias.

Perante descaradas deslealdades importa pedir contas públicas, sem medo da chantagem, da ameaça e do enxovalho. Quem não quer ser conivente com o laxismo tem mais uma oportunidade para mostrar que não vale tudo na democracia à moda de Jardim.