Este sábado, conheci o Tomás. Quatro anos de possibilidades e de sonhos. O olhar curioso, a coragem para enfrentar o mundo e arredores. O sorriso.
O Tomás quer ser jornalista, quer saber a verdade das coisas, descobrir, escrever. E explica porquê: quer ser investigador como o Tintin. Porque não?
Aos quatro anos, sabemos acreditar e somos o recipiente certo de todas as possibilidades.
Numa altura em que nós, os ditos crescidos, encontramos tantas razões, reais e imaginárias, para desacreditar, a força com que o Tomás acredita é uma lição.
Do alto dos seus quatro anos, o Tomás ajudou-me a colocar o planeta no eixo e, sem o saber, é já um herói como o Tintin. Um investigador de sonhos, um jornalista de palavras certas e sábias, na simplicidade das coisas que nascem do coração e que, dada essa origem, têm o poder de transformar e construir.
Encontrei o Tomás no meio dos livros, na Biblioteca Pública Regional que, aos sábados, ( eu eu não sabia) enche-se de heróis e princesas, fica a transbordar de futuro. Metida em coisas sérias de crescidos, tantas vezes arredada dessa força que me trouxe até aqui, voltei a sentir borboletas na barriga, aquele susto antes do salto, aquela força que nos fazia correr e acreditar, em simultâneo e sem tropeçar.
Sim, Tomás, senti-me pequenina ao pé de ti, porque olhaste para mim como se eu fosse o Tintin e eu já me tinha esquecido de que era mesmo. Deixei algures o Milú, nunca mais visitei o Capitão Archibald Haddock, o meu melhor amigo. Esqueci-me de mim, é verdade.
Já todos nós, e eu também, fomos o Tomás e o Tintin. Princesas e heróis. Descobridores e índios de pele vermelha. Investigadores e piratas. Já fomos todas as possibilidades e, por isso, chegámos aqui.
Agora, apenas temos de continuar a descoberta. Porque, como diz Calvin ao Hobbes, o seu amigo tigre, 'há tesouros por todo o lado'. Ao que Ratatui acrescenta: com sorte, vamos em frente. Só precisamos de recordar o Tomás, herói e investigador, jornalista de quatro anos. Como nós, afinal.