Ao longo dos mais de vinte anos, que tenho acompanhado a música de perto, chega a ser curioso a evolução tremenda que todo o movimento da música electrónica, em especial da música de dança sofreu. Desde o início em que surgiram os primeiros instrumentos não acústicos que a música electrónica foi levada ao limite por artistas que sem saberem muito bem o que estavam a fazer tinham apenas uma visão: Experimentar... Desde o aparecimento dos primeiros discos de House e de Techno na década de oitenta, ao aparecimento de muitos outros estilos na década de noventa, à popularização das linhas de baixo inspiradas no som do "Show me love" da Robin S, à massificação do uso do mesmo som de teclas usado no hino "Insomnia" dos Faithless, ao uso exaustivo dos samples pelo House francês, ao ressurgimento do electro, do minimal em Berlim, à metamorfose da Techno, este ano assistimos ao regresso em grande da House ao primeiro plano. Continuam haver duas "cenas" muito distintas, de um lado temos os dj's e produtores que tocam e produzem um som comercial e nós bem sabemos quem eles são, e por outro temos um conjunto de artistas de grande talento e personalidade que continuam a trilhar o caminho da música "underground", do actual panorama internacional, são estes os visionários que gostam de experimentar. O ano não poderia ter começado da melhor forma, com a edição do álbum de Maceo Plex, alter ego de Eric Estornel pela editora Crosstown Rebels, Eric até então era bem conhecido no meio underground através de outro alter ego - Maetrik, em que explorava um som mais Techno mas não de todo mais agressivo. Maceo foi o responsável pelo disco que mais toquei este ano, o brilhante "Can't leave you", por esta hora já elevado a estatuto de clássico. Ainda este ano a confirmação de outros nomes que em artigos anteriores fiz referência como o caso de Jamie Jones, Maya Jane Coles, Seth Troxler, Art Department entre muitos outros, ou através das editoras Hot Creations e Crosstown Rebels que à semelhança do que aconteceu no passado com outros movimentos são as responsáveis pela popularização do som que muitos nem sabem ao certo descrever mas que cada vez mais enchem as pistas de dança. A música de dança está ai, com força de novo, à espera de ser descoberta por uma nova geração irreverente.
Michael C, DJ