A Madeira continua na moda. Tem feito por isso. Desde que se notabilizou à conta da dívida escondida, estratégia que lhe valeu o epíteto de "desonesta", que não largou as primeiras páginas dos jornais, as aberturas de telejornais e as rubricas de humor. É um caso raro de notoriedade prolongada, porventura só destronada pelos casos demorados da Justiça portuguesa. Os remediados portugueses sabem hoje o que Região gasta, nalguns casos mais do que as míseras contas domésticas. Todas as semanas chegam-lhes novas e intrigantes facturas insulares. Da luz, do fogo, da água que é a "má governação", das irresponsabilidades sucessivas e da arrogância democrática que na passada semana surgiu na fórmula '25 em 1', inconstitucional e subversiva, ridicularizando eleitores e eleitos, a representatividade expressa nas urnas, o que é mais valioso no sempre discutido regime em vigor, a honra dos que se disponibilizaram para representar a vontade popular. É estranho que o poder regional se irrite com tamanha visibilidade e com a mediatização sem custos financeiros, geradora de audiências sem ser preciso gastar quatro milhões de euros por ano. Alega que as forças hostis e também secretas tudo fazem para distrair a opinião pública nacional com a Madeira. Nem põe a hipótese de estar perante um desígnio nacional, de gente que cumpre à risca o repto presidencial e desata a 'comprar o que é nosso'! A portugalidade genuína também está na moda. E não tolera ofensas ao bom nome luso, queixinhas às representações diplomáticas estrangeiras, peregrinações desesperadas a Bruxelas, como a que hoje se inicia. Quem tanto defende a intervenção do Presidente da República se "alguém ameaçar a coesão nacional" devia dar o exemplo de patriotismo em vez de dividir para reinar, de provocar para fugir odioso. Daí que não deixe de ser irónico, mas preocupante, que tenha mandado escrever que "o PSD-M não aceita que a Região Autónoma da Madeira seja tratada como um território estrangeiro". Não lhe chega ser o coveiro da Autonomia? Bernardo Nascimento, Realizador Ao ser premiado em todo o mundo com o seu filme de estreia parte com a vantagem de poder proporcionar momentos surpreendentes a quem aprecia a 7.ª arte. A melhor sorte para as 'curtas' e longas, qualquer que seja o palco das rodagens. Arlindo Gomes, Presidente de Câmara de Lobos Uma gestão lúcida e equilibrada das contas públicas passa muitas vezes por contrariar o populismo. Não lançar novas obras em 2012 por falta de dinheiro só é merecedor de destaque por ser cada vez mais raro. Nuno Teixeira, Eurodeputado Exceptuando a linguagem bélica, o parlamentar madeirense até mostra estar sintonizado com as necessidades de quem o elegeu. Ter mais fundos, ou no mínimo, mantê-los, é condição para a afirmação da ultraperiferia no contexto internacional. Oliveira Martins, Intendente da PSP Mesmo que assegure que a operacionalidade da PSP na Madeira não está em causa, é inegável que com menos 70 viaturas a qualidade da segurança fica comprometida. Uma fragilidade que dispensa posturas politicamente correctas. Mário Pereira, Médico O deputado eleito pelo CDS-PP está disponível para trabalhar de borla no Hospital. Numa semana em que alguns políticos deram mostras de não quererem servir a causa pública, louva-se a disponibilidade que devia ter sido aceite de imediato.