Juvenal Rodrigues Estou a escrever no preciso momento em que a televisão transmite em directo os distúrbios violentos na escadaria da Assembleia da República entre PSP e manifestantes da greve geral do dia 24.11.11. Não sou apologista da violência física mas, já há muito, que ela era previsível devido ao descontentamento geral que grassa no país. A população está a chegar ao limite da paciência com a falta de emprego, o corte das regalias sociais, a incerteza na reforma, os cortes nos salários e toda uma instabilidade no futuro. Se a classe política não inverte imediatamente o rumo dos acontecimentos estas altercações não se ficarão apenas por pequenas escaramuças mas acabarão em derramamento de sangue. Os políticos terão que entender, de uma vez por todas, que a população está mais esclarecida e que não são os "tapadinhos" de outrora que faziam vénias à sua passagem. Hoje, as redes sociais - para o bem e para o mal - informam de tudo o que se passa e o povo toma logo conhecimento das grandes injustiças sociais que grassam neste país. Hoje não é possível esconder quanto ganha um deputado, um governante, um gestor, um assessor, enfim toda uma classe de privilegiados que não cortam nos seus vencimentos e em todas as suas mordomias mas estão continuamente a pedir sacrifícios à população. Os políticos terão que dar um sinal claro e inequívoco que se é preciso sacrifícios eles têm que ser os primeiros a dar o exemplo reduzindo significativamente os seus salários e cortando nos escandalosos luxos e mordomias. Não peçam apenas sacrifícios à população que até é a menos culpada dos erros sucessivos que os governantes cometem até deixarem um país no estado a que chegou. Reduzam as despesas com a presidência da República, com a Assembleia da República e Regionais porque os partidos não precisam de tanto dinheiro para gastar em campanhas para as eleições com jantaradas, música pimba e outras "cowboyadas". Estabeleçam um teto salarial digno para os gestores e seus assessores premiando-os por objectivos se as respectivas empresas apresentarem lucros. A classe política, pelo seu péssimo desempenho na governação do país, não pode ter - nem merece - todas as regalias de que dispõe actualmente quando aqueles que os elegem passam por momentos tão difíceis. Tenham bom senso e sobretudo vergonha na cara já que a vossa redoma já tem o vidro partido. Se são eleitos pelo povo é para servi-lo e não para se servirem, enriquecendo à custa de um cargo que se exige honesto e digno. Respeitem os cravos do 25 de Abril que vos deu direito às mordomias e dignifiquem a democracia se não quiserem ver um Portugal mergulhado em terríveis convulsões sociais.