J.A. As SD foram um instrumento de governação que permitiram ao Governo Regional ultrapassar o limite de endividamento e promover investimento público. Legítimo? Seguramente tanto quanto o foram, a nível nacional, as parcerias público-privadas que permitiram construir uma série de auto-estradas ou a Fundação para as Comunicações Móveis, que permitiu disseminar o "Magalhães" pelo país. Nem mais, nem menos. Parece-me que, em qualquer dos casos, como em tantos outros que podiam ser enunciados, estamos perante ferramentas que permitiram a diversas entidades - executivas, fiscalizadoras e judiciais - crer que não existia o que, tal como todas as outras, sabiam efectivamente existir. E ainda que, à data, pudesse existir uma perspectiva de auto-sustentabilidade, está certamente ultrapassada. A verdade é que, para bem e para o mal (estou convencida que sobretudo para o bem), a nível regional e nacional, a questão do endividamento público deixou de ser tabu. Era fatal como o destino que assim fosse. E é este novo contexto que urge aproveitar. Sem me querer imiscuir na governação, espero que a nova tutela das SD tenha mandatado os novos responsáveis (a quem endereço votos de muito sucesso) para, de forma célere mas salvaguardando a segurança jurídico-formal, (a) proceder à transferência das operações de crédito contratadas para a esfera da RAM, (b) transferir as diversas infra-estruturas edificadas para os diversos departamentos públicos, em função da sua natureza, (c) assegurar que os postos de trabalho são salvaguardados (o que, na maior parte dos casos, ocorrerá de forma natural pois não estão condicionados à questão da propriedade das obras) e (d) promover a extinção das SD. Dando por finalizado um ciclo em que tiveram um papel central na promoção da melhoria da qualidade de vida dos madeirenses. Se podíamos ter vivido sem as SD? Podíamos, mas não teria sido a mesma coisa...