O artigo 61.º dos Estatutos do C. D. Nacional de 1927 estabeleciam que o clube deveria promover "anualmente e em época própria uma festa publica e desportiva denominada o Dia do Nacional" cujo produto reverteria a beneficio de uma casa de caridade. No jogo entre o Marítimo e o Sporting que decorreu a 22/01/1916, estavam disponíveis, para aluguer, cadeiras do Asilo de Mendicidade e Órfãos do Funchal, na inauguração do Campo da Achada, num jogo entre o Madeira e um grupo de empregados da Western Telegraph Company, as entradas reverteram a favor da Cruz Vermelha e, em 1917, o Madeira e o União fizeram reverter as entradas do jogo disputado em benefício da viúva de António Fernandes, antigo jogador do Marítimo, provando, uma vez mais, que a solidariedade e a preocupação social não distinguiam cores nem se alimentavam de clubismos. Na semana que findou e após o apuramento da Selecção Nacional para o Euro 2012, Portugal tomou conhecimento do sofrimento de uma família que lutava pela vida do seu elemento mais novo. Ecoavam, ainda, os festejos da goleada e anónimos, dirigindo-se aos postos de saúde mais próximos da sua residência, tentavam colaborar e ajudar a família do jogador português bem como a de muitas mais famílias que, no anonimato, vivenciam dramas similares. Para quem ainda não acredita que o passatempo inglês chamado desporto determinou, principalmente nos sécs. XIX e XX, o padrão de um movimento de lazer de dimensão mundial, assumiu funções de educação para a vida, para a solidariedade, para a consciência colectiva, para a ética e para os valores tem, nesta onda de solidariedade, mais uma prova de que o seu menosprezo e desatenção merecem ser repensados.

Andreia Nascimento, Directora de Comunicação