Pedro Miguel Freitas Escrevo-te esta carta porque preciso de desabafar e, como me pediste para poupar, ainda não carreguei o saldo do telemóvel. Sempre me aconselhaste a prosseguir os meus estudos enquanto, paralelamente, pagavas cursos de línguas. Nunca percebi a importância das línguas até o governo nacional me aconselhar a emigrar. Talvez sejas adivinho, como o líder da juventude laranja que antes de ser candidato já espalhava aos sete ventos a certeza de uma vitória. Confesso que só hoje percebi o vício que auferes pelo teu concelho, aquele que tanto do teu já escasso tempo-livre te tira. É que após 4 anos longe de casa, sinto mais orgulho que nunca em ser madeirense. E com o orgulho veio a responsabilidade e, a vontade de desmantelar a rede de corrupção que se apoderou da nossa ilha. Mas, como o poderei fazer? Tu não és deputado e eu não sou a Raquel Coelho. Também pensei em ajudar a equilibrar as contas da RAM, mas os meus amigos gozaram de mim - "Percebes tanto de gestão como o Pedro Jardim!", disseram. Dada a incompatibilidade de ideologias, nunca poderei filiar-me no maior partido da oposição. Mas para quê? Se ao voto de confiança dado pelos madeirenses, o José M. Rodrigues respondeu com uma passagem de avião para a capital. "Lá terei uma palavra a dizer!", e nunca mais ouvi falar dele. Mandou uma carta ao Passos, eu sei, o que me suscitou a dúvida - Os correios daí já fecharam portas? Duvido muito, porque também ouvi falar numa carta do Jacinto Serrão ao Cavaco, o que me leva a crer que vos cortaram a electricidade. É com tristeza e indignação que te digo que já não sei o que fazer. Eu estudo, como me pediste. Eu poupo, como me obrigas. Mas a verdade é que eu quero fazer algo mais da minha vida neste preciso momento. É que eu tenho 22 anos, ou seja, para o ano já podia ser deputado da ALM! Porra pai, onde está o meu apelido? Porque raio não me deste um apelido decente?!