O que ganham os alunos quando a escola consegue uma relação próxima e direta com os encarregados de educação? E o que perdem os alunos quando esta relação é nada mais, nada menos do que apenas aparente? Vejamos, quando uma escola tenta implementar medidas disciplinares aos alunos que delas precisam e por parte dos pais se consegue uma posição que de alguma forma se assemelha ou é de alguma forma coerente com as medidas que passam a ser aplicadas pela escola, temos uma união de forças com todas as competências para vencer os caprichos, as birras, as “malcriações” típicas de qualquer adolescente. E tudo será uma questão de tempo para perceberem que quando não agem corretamente, ou desrespeitam um professor, um funcionário, ou um colega, ou não cumprem com as regras estabelecidas, há sempre consequências, e entendem, também com o tempo, que crescem e se formam como pessoas mais correctas e de quem toda a gente gosta muito mais! Quando esta relação não se consegue, ou porque os pais têm medo de serem demasiado rígidos, e “não são capazes de manter um castigo”, ou porque pura e simplesmente não sabem fazer melhor e não estão dispostos a tentar fazer melhor, a escola fica sozinha... Educamos os filhos que não são nossos e enquanto “queremos saber” fazemo-lo de muito bom grado, mas principalmente porque precisamos de ordem no nosso espaço de trabalho, porque o mau comportamento de um aluno não pode interferir com o processo de aprendizagem dos restantes alunos, mas o resultado final fica muito aquém de uma boa educação e de uma boa formação pessoal. Como escola temos sempre um aspecto a nosso favor: os alunos não são nossos filhos, fazemos o melhor que podemos, mas não temos a tensão acrescida de podermos estar a falhar enquanto pais e isso só por si já é uma grande vantagem. Os alunos comportam-se de forma muito semelhante, de acordo com a sua personalidade e características que os definem como indivíduos, mas de uma forma geral, seguem padrões. Para nós, escola, são alunos que não diferem muito de outros que não se comportam tão mal ou de outros que se comportam um pouco pior... Um dia também hei-de ser mãe, e com certeza, vou hesitar e ter muito mais medo de falhar do que agora que sou apenas professora de muitos filhos que não são meus.
Vanessa Fernandes, Professora de Dança Clássica Atelier de Dança Música e Artes