Também no Turismo o Mundo Mudou! Tão mau como olhar para o Umbigo é "chovermos no molhado" e deixarmos de perceber o futuro porque o passado é que era bom! As "low-cost" e o comércio electrónico abalaram o equilíbrio que havia nos circuitos comerciais, o surgimento de Destinos longínquos e exóticos a concorrerem connosco tornou-se em pouco tempo uma inevitabilidade face à revolução que se deu no transporte aéreo, o aumento da procura turística levou à massificação de alguns segmentos da procura mas também à maior exigência e sofisticação e outros nichos de clientes, a subida de factores de produção (energia) ou o maior custo relativamente a destinos concorrentes (custos salariais na zona euro) obriga à busca de novas formas de organização de trabalho na procura do aumento da produtividade, a mediatização da sociedade permite a divulgação dos produtos e destinos com muito maior facilidade mas tornou-os muito mais vulneráveis a acontecimentos não controláveis pelas empresas seja no campo social, ambiental ou político seja no controlo dos efeitos de catástrofes naturais. Ao mesmo tempo Portugal que deve e tem de ter como prioridade repor a sua credibilidade Internacional, o que implica pagar a quem deve, não tem dinheiro para fazer algumas das tarefas essenciais - Promoção do País lá fora. Mas não sendo essa poupança suficiente ainda vem buscar uma fatia importante das receitas das empresas que têm impacto directo nos seus meios libertos (o aumento do IVA na restauração tem um impacto em termos médios de 3 a 4% nas receitas das empresas hoteleiras que não têm possibilidade de repercutir, dado que os contratos com a distribuição para o próximo ano já estão assinados, o que consoante os casos implica uma diminuição entre 10 a 20% nos meios libertos das empresas que têm as melhores rentabilidades do mercado). As subidas do IRS e a redução salarial na função pública também essenciais para o nosso objectivo colectivo principal - retomar a Credibilidade do País - reduzem a procura turística do mercado interno que para alguns Destinos e empresas é o mercado mais importante. Neste contexto, e porque desistir não pode ser opção, o que fazer? Por limitação de espaço deixamos para o próximo artigo a tentativa de encontrar algumas pistas.
José Theotónio, CFO - Grupo Pestana SGPS