1 - A semana passada foi um corrupio de reuniões entre o Presidente do Governo Regional e os governantes da República. Sobre elas e, principalmente, o que se decidiu nelas, quanto ao que nos vai acontecer em termos de plano de resgate financeiro, nem uma palavra. Um silêncio absolutamente ensurdecedor, quebrado apenas numa entrevista a um canal de televisão (TVI) onde admitiu que a Madeira precisa desesperadamente de um resgate financeiro. Do que lhe foi exigido para que esse resgate seja efectuado, mais uma vez, nem uma palavra. Assumiu a privatização da empresa "Horários do Funchal" e o abrandamento das obras públicas. Foi pela voz do Ministro das Finanças que ficámos a saber que a Madeira vai ter que pagar a sua dívida e os representantes da 'troika', em alto e bom som, garantiram que a Madeira, tal como um menino mal comportado, deverá sofrer um castigo que sirva de exemplo a actuais e futuros modelos de má governação. O programa do governo que está a ser elaborado, necessariamente com as indicações e exigências que, quer o Governo da República quer a 'troika' impõem, paira sobre nós qual "espada de Damôcles". O perigo iminente que anda no ar poderá transformar-se numa dolorosa realidade nas primeiras semanas de Dezembro quando, finalmente, for quebrado o silêncio. Não com a clareza das palavras que o momento obrigava mas com a crueza das medidas que estarão plasmadas no programa que será entregue na Assembleia Legislativa Regional. 2 - A semana que agora se iniciou fica marcada por uma Greve Geral convocada pelas principais Confederações sindicais do País: a UGT e a CGTP-IN. Exactamente um ano depois da última greve geral, voltamos a esta forma de luta e de resistência que, ainda, temos. Nas últimas semanas já ouvi todos os argumentos do costume sobre quem não vai fazer greve e ouvi, igualmente, os argumentos dos que estando de acordo com a greve têm vários "mas" que justificam a sua não adesão. Agarram-se ao discurso, compreensivo, que o próprio 1.º ministro articula, em horário nobre, afirmando compreender as razões para que tenha sido convocada uma acção de luta mas lembrando, logo a seguir, da inevitabilidade das medidas inscritas no Orçamento de Estado, como se estas fossem o princípio e o fim de tudo. Martela-nos os ouvidos e os sentidos com o tempo em que "vivemos acima das nossa possibilidades". Compreende que não estejamos tão satisfeitos quanto os representantes da 'troika', com o aumento do desemprego, com a estagnação da economia, com os cortes nos subsídios de Natal já este ano e no próximo, com novos cortes nos salários e nas prestações sociais, mas sublinham a necessidade imperativa destes e de outros sacrifícios serem pedidos sempre aos mesmos. Se este não é o momento de lutar, vamos fazê-lo quando? Boaventura Sousa Santos, na revista Visão n.º 976 de 17 de Novembro, escrevia: "Em geral, podemos dizer que a greve geral na Europa de hoje é mais defensiva que ofensiva, visa menos promover um avanço civilizacional do que impedir um retrocesso civilizacional. É por isso que ela deixa de ser uma questão dos trabalhadores no seu conjunto para ser uma questão dos cidadãos empobrecidos no seu conjunto, tanto dos que trabalham como dos que não encontram trabalho, como ainda dos que trabalharam a vida inteira e vêem hoje as suas pensões ameaçadas". A greve geral do próximo dia 24 não se esgota em si mesma. É uma afirmação de resistência e luta. A greve geral tem justificação. A ausência… não.
O silêncio e a Greve Geral
A greve geral do próximo dia 24 não se esgota em si mesma. É uma afirmação de resistência e luta