Ao olharmos para aquela que tem sido a postura do governo de Pedro Passos Coelho/Paulo Portas, rapidamente percebemos que o objectivo desse governo é obter resultados positivos nos testes da troika, o mais rapidamente possível, e sem olhar a meios para os atingir. Esse objectivo ficou bem patente nas primeiras medidas tomadas pelo governo de coligação PSD/CDS-PP, em que utilizaram o aumento de impostos como a forma mais rápida e mais fácil de o Estado arrecadar receita fácil, não olhando às consequências que daí advêm nomeadamente no empobrecimento das famílias portuguesas e, por conseguinte, na retracção no consumo. Ao que parece esse objectivo não ficou apenas pelas finanças e esta já no sector da Juventude e Emprego. Ainda recentemente o Sr. Secretário de Estado da Juventude, na sua deslocação ao Brasil, veio defender que os jovens portugueses desempregados, devem sair da sua "zona de conforto" e abandonar o país. Cá está um outro exemplo de quem quer apresentar resultados rápidos, ou seja, diminuição de jovens inscritos nos centros de emprego - ao emigrar deixam de constar da estatística de desempregados -, mas não resolve o problema do desemprego jovem no país. O que se esperaria do Sr. Secretário de Estado, alguém que desempenha um cargo institucional cujo objectivo principal está, ou deveria estar, na defesa dos interesses dos jovens, seria a apresentação de um plano estratégico de combate ao desemprego jovem que passasse pelo incremento de medidas no sentido de incentivar ao empreendedorismo jovem, criando condições para a fixação de jovens precisamente na sua "zona de conforto", na sua terra, junto da sua família. Como é óbvio, o desemprego continua a aumentar, com despedimentos massivos na área da construção civil e no comércio devido à retracção do consumo, e esse problema tem necessariamente que estar na agenda de qualquer governante deste país. Deve ser uma das prioridades do Governo Regional da Madeira para 2012 a implementação de medidas que respondam ao crescimento deste problema social que tem vindo a aumentar desmesuradamente na Região Autónoma da Madeira.

Orlando Fernandes, Presidente da JS-Madeira