Gosto do citador.com. Permite-nos parecer filósofos. Ou economistas. Ou estadistas. Permite-nos citar, por exemplo, Eco, transformando-nos no eco daquilo em que nunca pensámos. O citador.com é uma espécie de fato bonito, cortado à máquina num tecido de viscose que quase parece seda e que usamos nos dias grandes. Nos dias em que julgamos comandar os destinos que há muito hipotecamos, esquecendo que somos apenas o eco esbatido de um grito que um dia acreditámos ser. O citador.com é uma espécie de caixa de sabedoria enlatada, pronta a comer e a vomitar, com o sabor mágico da comida de lata, um misto de metal com coloridos químicos corantes. É uma bela peça artística feita em plástico. É uma cadeira que é quase de vime. É um texto que é quase bom. Uma ideia que talvez não seja nossa. Uma equação para a qual por pouco não temos a solução. No citador.com o mundo define-se por um atalho. Uma linha quase recta que nos faz esquecer que afinal não percebemos quase nada das linhas curvas e dos labirintos do pensamento dos outros. Escrevo no Porto Santo, num daqueles dias cinzentos em que gosto do Porto Santo. Mas no citador.com as ilhas não se compadecem com dias cinzentos. Não encontrei nenhuma frase sobre dias cinzentos nas ilhas. Queria terminar com uma citação. Mas prefiro deixar umas linhas em branco. Preencha-as você, caro leitor... Se lhe apetecer.
Gonçalo Santos, Gestor de Projectos