João Freitas A vida, hoje, com a crise a agravar-se, ajuda-nos a perceber em que proporção seremos reféns deste sistema económico, político e social. De tempos de necessidade de desenvolvimento no nosso País em que ficamos reféns de decisões de lideranças que não foram equilibradas nem prudentes e nos trouxeram a este momento. Muitos cidadãos não tiveram um prudente aconselhamento das instituições financeiras (ao momento mais interessadas em objectivos e bónus) relativo ao seu endividamento que desde o início estaria comprometido o seu equilíbrio económico e financeiro. Esta crise que se agrava está a revelar a insustentabilidade de tais níveis de endividamento. Se analisarmos alguns indicadores, como a taxa de desemprego, o grau de incumprimento das famílias com os seus créditos, e em especial o crédito à habitação, o n.º de empresas falidas e em insolvência, a quebra no investimento privado, etc... Deste olhar possivelmente ficaremos com a percepção que já somos reféns deste sistema, ou que, em breve, poderemos vir a sê-lo. A situação de devolução do lar de família por dificuldade de cumprimento das suas prestações devido à perda de recursos financeiros é uma situação delicadíssima e desestruturante de uma sociedade. Essas famílias tudo perdem desse investimento. E depois que acontecerá a esses apartamentos/casas devolvidos aos bancos? Muitos deles serão vendidos em leilões, por menos 25% a 45% do valor de mercado (Diário Económico), ou a preços de saldo. Serão tais situações proporcionais e justas? E a legislação portuguesa será suficientemente proactiva para atenuar ou evitar tais desproporcionalidades? Muitos dirão que "são as novas oportunidades do mercado"!!!! Antes, as instituições financeiras estimularam-nos ao excesso de endividamento (e com isso os seus lucros dispararam) por sermos pobres e agora penhoram-nos os bens porque estamos empobrecendo. Este paradoxo faz com que se repitam ciclos de injustiça: o poder volta aos mesmos e a miséria fica com os mesmos. Que tipo de sociedade será esta que se alicerça em tais procedimentos de injustiça, muitos deles, certamente, consequência de oportunismos e ambições desmedidos???