Há dias o patrão de uma companhia 'charter' europeia manifestava a sua satisfação por começar a operar para a Madeira, que via como um "gigante" adormecido. Penso que se 2010 foi o ano dos desastres, 2011 foi o aúno das oportunidades perdidas. Tivemos a oportunidade - entre muitas outras - de mudar de gestão e de paradigma do turismo, e optámos por mais do mesmo, mesmo sabendo, já à partida, que a fórmula estava gasta e já não chegava para atingir os mínimos. Já por várias vezes tenho defendido que as necessidades do turismo são satisfeitas, não com grandes obras, e com muitos milhões, mas com pequenas intervenções que custam - quando custam - milhares. Mas há um campo onde vejo necessidade de algum investimento, que faria diferenças dramáticas: o transporte aéreo. Porque nenhuma companhia aérea está intrinsecamente ligada à Madeira, temos de aceitar que abandonem, permanente ou temporariamente, este mercado, em busca de maior rentabilidade para o seu investimento. Esta é uma situação que não afecta da mesma maneira, nem os Açores, nem as Canárias, ambos dotados de uma transportadora com o seu nome. Enquanto dermos prioridade ao betão, por aqui ficaremos. Enquanto não valorizarmos, de forma decisiva, a nossa maior mais-valia, o capital humano, por aqui ficaremos. Enquanto dependermos - tanto - de tantos, dificilmente o "gigante" adormecido acordará. E enquanto estiver adormecido, dificilmente se resolverão problemas como o desemprego, o subemprego e os salários baixos.

Roberto Loja