O crescimento permanente é o dogma da economia moderna. Mas esse caminho conduz-nos ciclicamente à falência, crise, desemprego, violência, destruição dos recursos e futuro incerto. Porquê? Nada pode crescer para sempre dentro de um espaço finito em área e em recursos. Continuar a ignorar as leis da Física e os limites do planeta Terra é insistir em seguir em direção ao abismo. Em meados deste ano a humanidade já tinha utilizado mais recursos do que o Planeta conseguirá produzir até 31 de Dezembro. Há limites bem reais para o crescimento. Com este modelo, uma economia cresce até rebentar, como uma bolha, provocando desemprego, fome, injustiça, corrupção e violência. A forma de interromper este ciclo é abandonar a estratégia do crescimento e apostar no equilíbrio e no desenvolvimento económico, social e ambiental. Crescer não é o mesmo que DESENVOLVER. Ao contrário do simples crescimento, o desenvolvimento garante qualidade de vida, cuidados sociais, distribuição da riqueza e estabilidade no presente e no futuro. Mesmo perante o desmoronamento do castelo de cartas que construímos com base no dogma do crescimento, a tendência é para que nada mude. Mas a quem serve a estratégia do crescimento? À sociedade? Ao comum dos cidadãos? Não! Serve aos oportunistas que querem extrair o máximo de sumo em pouco tempo e pôr-se a salvo, deixando a bolha rebentar nas mãos do povo. Se a economia da Madeira e do país é hoje várias vezes maior do que era há algumas décadas, e a população nem cresceu grande coisa, porquê que estamos em crise? Porque não apostamos no DESENVOLVIMENTO.
Hélder Spínola - Deputado eleito pelo PND