É verdade que o ministro Álvaro já marcou o final da crise para 2012, mesmo sem explicar como será feito o encerramento oficial de um dos períodos mais dramáticos da história recente deste País, mas assumindo que, no ano em quer a crise vai acabar... vai aumentar a recessão e o desemprego deve disparar. Encerramento curioso. Também é verdade que o ‘pontapé para a frente e fé em Deus’ é uma estratégia que já resultou em situações desesperadas. Mas nada disso obrigava a que, num discurso de mais de uma hora, o empossado presidente do Governo Regional não tivesse deixado uma única indicação do que será feito para enfrentar a situação catastrófica em que se encontram as finanças da Região.

Também não foi dito nada, durante aquela longa oração de sapiência, sobre o que será feito para travar o aumento assustador do desemprego e da pobreza, numa Região que ainda há poucos anos deveria transformar-se na Singapura do Atlântico. Com o rendimento elevado e sem a democracia musculada da cidade-Estado asiática.

Nem por uma vez foi reconhecido que nestas mais três dezenas de anos de governação alguma coisa terá sido menos conseguida, terá sido cometido algum erro, ou uma estratégia pode ter sido errada. Ou seja, o desastre a que esta terra chegou, com mais de 20 mil desempregados, falências aos montes, obras por pagar, uma dívida colossal e um défice público enorme, não tem responsáveis. Melhor, tudo foi feito como deve ser e o caminho deve ser o mesmo.

Ontem, o recém-empossado presidente do Governo Regional foi finalmente recebido pelo primeiro-ministro, ao que se supõe para debater o plano de ajustamento financeiro da Região. Entrou mudo e saiu calado, prosseguindo um voto de silêncio feito na noite das eleições e que não foi interrompido em mais de uma hora de discurso na tomada de posse, porque aí também não disse nada.

Silêncio que pode ter uma explicação perigosa: não faz a mínima ideia de como sair deste buraco e vai limitar-se a cumprir o caderno de encargos que Lisboa entregar, sem protestar.