Apesar de incompreendido, Jardim limitou-se a gozar da benesse que concedeu à função pública regional e actuou no âmbito da "dispensa ao serviço". Assim, mau grado as críticas severas da oposição e das "pessoas inteligentes" que entendem a maneira nem sempre firme de governar, o líder madeirense foi superiormente sincero e coerente com 33 anos de poder. O discurso proferido na sua décima tomada de posse é o reflexo daquilo que "os madeirenses quiseram". E teria que ser assim, a saber a pouco, a repetir convicções autonómicas, embora, em manifesta agonia, já só fale da "sobrevivência", a insistir nas raízes de uma dívida resultante de um ostracismo com séculos, mas a ignorar os motivos da mais recente ocultação deliberada das contas públicas. Jardim perdeu as margens. Levado pela corrente que agitou quando lhe deu jeito, falou como se de um estreante se tratasse, optando por um escrito demorado, pródigo em citações, assente no vazio de soluções, na defesa da honra e nas fugas aos compromissos com o futuro. Era expectável que desiludisse quem estivesse à espera de um brilhante e milagroso programa de governo, adaptado aos tempos de austeridade e de abnegação. Era previsível que mantivesse o registo de campanha, preferindo perpetuar contenciosos a aceitar entendimentos que acabem de vez com dúvidas e dramas que confundem os madeirenses. Se quisesse ser desconcertante poderia ter aprofundado as razões que o levaram a ser cauteloso nalgumas palavras, porventura preocupado em não voltar a enganar o povo. Percebe-se. Na prática, o presidente eleito pouco ou nada poderia garantir sem antes negociar com Lisboa e receber as instruções do primeiro-ministro. E convém que o faça, já amanhã, de forma racional, com respeito pela condição social de quem o elegeu, pelo compromisso de honra assumido na posse, sem pensar em ganhos imediatos e mediáticos. Com o seu incontornável "Não fujo", convicção que repetiu interiormente sempre que anunciou que não se recandidataria a novo mandato ou quando colou com cuspo os cromos da sucessão na caderneta da humilhação pública, Jardim reforça a certeza que nunca entregará o poder aos seus. Refém de si próprio, sem ter para onde ir, pouco lhe resta. Por isso, prossegue a missão, fechando portas, alimentando a conflitualidade expressa na tese "a Madeira não se rendeu, nem se rende", mantendo privilégios desnecessários e hábitos ofensivos. As primeiras medidas deste novo governo sem margem para errar ou pedir clemências contrariam o que foi solenemente prometido na passada quarta-feira, que, não sendo de cinzas, deixou muitos madeirenses com a convicção de terem entrado à força em tempo de jejum prolongado e de renúncia quaresmal compulsiva. E ainda nem estamos no Advento, que podia ser outro e libertador. Bastava que quem manda estivesse disponível para trilhar caminhos diferentes. Como toda a gente ouviu, Jardim não vai pactuar, "nem reconciliar com o inconciliável", ou seja, não vai mudar, o que não sendo surpreendente é deveras preocupante. Gilles Lipovetsky, Filósofo O pensador teve o condão de desmontar o discurso dos políticos. Sobretudo dos que exigem "revoluções" nas quais "ninguém acredita". António Trindade, Administrador Porto Bay O grupo hoteleiro conquistou mais um importante prémio internacional. O 'Global Awards' da WTM prova que quem sabe tem vantagens. Aleixo Vieira, Director do Correio da Venezuela Doze anos depois, o 'Correio' é um projecto acarinhado e tido como estratégico. Uma conquista que tem exigido dedicação extrema. Bruno Freitas, Director Regional do Turismo A nomeação agrada a importantes 'players' do sector. Tem tudo para brilhar. O trabalho que fez nos Portos e a postura comercial ajudam. Emanuel Rodrigues, Primeiro presidente da ALM Pediu e bem um parlamento que respeite a grandeza da Autonomia. Pena é que as "cenas indignas" perdurem, envergonhando-nos.