Em 1997 o líder da Madeira apareceu de cuecas na capa de um jornal, o já extinto "Tal & Qual"). Um autêntico feito inédito: Jardim tornou-se o único político português a ser fotografado com uma generosa tanga, branca. Sinal de pureza. A cena deu brado, suscitou um coro de críticas pelo gesto e pelas palavras que o presidente do Governo Regional terá dito na altura, quando se preparava para participar em mais um cortejo carnavalesco, onde era a maior figura de cartaz há já alguns anos. Azar dos azares, terá proferido nesse momento de folia uma série de impropérios que visaram a Assembleia da República e a mais alguns altos dignitários do «retângulo». Nessa divisão do Conservatório de Música da Madeira, Jardim ao saber e ao que parece, ter consentido a presença de jornalistas no local onde trocou o fato e a gravata pelas vestes carnavalescas, tendo obviamente nessa tarefa, de ter de ficar em trajes menores, pôs-se a jeito. Não teria dado autorização à publicação de tais imagens, mas ouviu decerto os flashes da máquina fotográfica a dispararem. Resultado: indisposição geral por estas bandas. O presidente do governo regional, literalmente de tanga, a vociferar contra os senhores de Lisboa, colocou também a sua Região no ridículo e alvo de galhofa dispensável. Este é apenas um episódio de muitos que têm manchado a credibilidade de Jardim e arrastado, por consequência, a imagem política da Madeira. Todos temos a liberdade de fazer o que nos apetecer nas épocas festivas. Perdemos essa liberdade quando somos figuras públicas com responsabilidades acrescidas. Nada disto tem a ver com o «politicamente correto», mas sim com bom senso e o decoro. Todos estes casos infelizes têm levado os continentais a não levar a sério o que diz o representante máximo da Madeira. Não leva o taxista, o empregado de balcão e também os governantes da República. O que é bem mais grave e com consequências nefastas para o povo madeirense. A sua reeleição, absoluta mas rasante, é um sinal de fim de regime. Depois de tudo o que se passou em relação à ocultação da dívida, expondo a Madeira a uma lamentável figura e após prolongado silêncio, o líder decidiu conceder tolerância de ponto no dia da sua tomada posse. Enquanto a grande maioria dos portugueses faz continhas à vida para ver o que sobra para as prendas de Natal, já que o subsídio vai levar uma talhada de 50 por cento, devido à incúria dos nossos políticos, o eterno rosto do poder da Região Autónoma da Madeira dá uma folga aos martirizados funcionários públicos insulares. Uma legalizada prenda envenenada e despropositada. Depois não se queixe. Põe-se a jeito permanentemente, como me lembrou ainda esta semana um amigo da ponta oeste da ilha, (quase) madeirense de gema como eu. Perante isto, fica o conselho, se quiser ouvir: senhor presidente, não se brinca ao Carnaval em novembro, quando há monumentais problemas financeiros para resolver, que comprometem o futuro de todos. *artigo escrito de acordo com a nova grafia
Roberto Ferreira