Uma carta sem aviso de recepção foi enviada pelos carteiros da propaganda, à espera do 'feedback'. Os lobbies do futebol profissional não desarmam. Estão a passar a mensagem de que o Marítimo, Nacional (e União?) pagam às finanças mais do que recebem das subvenções públicas, enquanto os restantes apenas dão maçada e despesas. A bandeira da função social e o desviar dos jovens da droga parece que foi chão que já deu uvas. Ou então agita-se e usa-se quando interessa. Já querem passar a formação para as escolas, esquecendo que essa mesma formação é a razão da existência dos clubes e que clubes sem formação são clubes sem futuro. Já estou a ver o Spartak da Francisco Franco a defrontar o Dínamo da Escola Secundária Jaime Moniz. Sou contra, pois na minha opinião - que vale o que vale - os clubes devem continuar na razão da sua existência e para que foram criados, havendo que relevar o papel social que desempenham junto das populações onde estão inseridos. Formação nas escolas vai aligeirar o orçamento da região? Negativo, precisamente ao contrário. Seleccionar e restringir a participação dos clubes madeirenses a nível nacional é que faz todo o sentido, especialmente quando a crise aperta. Já agora, a talho de foice, porque é que o futebol profissional não sai dos clubes, e a Madeira caminha definitivamente para o clube único ou/e representativo, dependendo da Secretaria do Turismo? Porque não apenas uma SAD para a alta competição, com um plantel curto mas de qualidade, sendo alimentado por um clube satélite formado EXCLUSIVAMENTE por jogadores madeirenses para disputar a Liga Orangina, uma vez que tal enquadramento será possível na época 2012/2013? Um clube, uma bandeira e uma região poderia ser uma experiência piloto a ser seguido por outras modalidades. O resto 'tudo cá p'ra baixo'. Ou então quem quiser que as coisas fiquem como estão, que pague.
Miguel Justino, Repórter