Estes últimos tempos têm sido muito difíceis e é na palavra "crise" que mais se houve falar. E houve-se falar de cortes em tudo o que é sector, e claro a cultura não é excepção, apesar de os investimentos nesta não sejam os maiores, convínhamos também que o interesse cabe também aos cidadãos em cativar-se. Ao contrário do que se possa pensar, a cultura não pode, nem deve ser só para os ditos "ricos", e o dinheiro não é entrave para tal, ou pelo menos não o deveria ser. Cabe nos a nós enquanto cidadãos não deixar o que é nosso "morrer", o que é português, o que é madeirense…as nossas tradições…os nossos costumes. Há então que aproveitar esta "crise" em duas vertentes: a primeira em que, a cultura atrai turistas, se apostarmos no que realmente é nosso, poderemos atrair mais e melhor as pessoas que vêm nos visitar de fora, porque o que temos é realmente rico, e só por isso as pessoas vêm, e procuram outras paragens. Gostaria de dar o exemplo que tem sido feito, e bem, na Avenida Arriaga estes últimos anos, nas festividades do Funchal, Natal, entre outras. È interessante poder ver na rua vários dos nossos grupos, desde bandas, grupos folclórico, grupos de teatro, exposições variadíssimas, desde obras literárias, a outras entre outros, a levar um pouco do que é nosso às pessoas, dar um pouco de nós a quem nos visita. E é esta também uma forma de juntar as pessoas de cá, de quebrar aquela rotina do dia-a-dia, criar laços, e manter tradições, que são sem duvida dos principais agentes motivadores e pelos quais se move e muito a cultura. E também noutra vertente…como o dinheiro não abunda, possamos apostar por exemplo nas chamadas "férias cá dentro". Á boa maneira do madeirense, agora em retenção de custos, se "desenrascar" e ao mesmo tempo aproveitar para conhecer o que é nosso, quer a nível de paisagens, quer a nível de levadas, quer a nível literário e muitos outros, pois de facto aquilo que se têm verificado nos últimos anos é que os próprios estrangeiros conhecem muito mais daquilo do que é nosso. È uma boa maneira de ficar a "ganhar" com a crise, e manter viva e dinâmica toda uma cultura, que de pobre não tem nada, muito pelo contrário.

João Francisco Dionísio, Colaborador AAUMa