Olha que bom. De repente, quando nada o fazia prever, o governo Grego, num lapso de consciência decidiu que um referendo ao titânico pacote de austeridade que tanto tem lacerado o seu povo, deixando-o á fome e quiçá ao relento, seria má ideia! Claro, não queiramos nós, povos do sul, prejudicar em nada os Alemães, que com tanto pesar têm nos olhado e aconchegado com a amabilidade de uma escova de palha-de-aço. Só alguém com muita maldade olharia para a gentileza da Chanceler Alemã e veria um interesse unicamente financeiro, pondo de parte todo e qualquer espírito de união que todos cremos reger a Zona Euro e consequentemente a União Europeia. Más-línguas. Mas enfim, nem com sarcasmos consegue-se tornar esta situação menos imprópria e vergonhosa. A realidade é paulatinamente mais dolorosa e aflitiva, assistindo-se de primeira fila aos governantes do que acreditamos ser uma União, desconstruírem um projecto com quase 55 anos em nome da alta finança, deixando para trás a ética e a responsabilidade por cada povo, entrando num jogo mesquinho de culpabilização e segregação. Assim vê-se o inexistente pragmatismo político, enquanto uns fechados em redomas tentam resolver o teórico conflito entre o sistema político e a alta finança numa chamada Crise da Dívida, outros, num mundo mais real, constituído por pessoas com os pés assentes na terra, procuram entres escassos meios resolver o seu dia seguinte, onde a palavra de ordem é «Paga!». Enfim, já não existe povo em política.

Diogo Gonçalves, Colaborador AAUMa