Depois de ter tomado posse, uma das primeiras medidas do Governo Regional foi rebaptizar quatro escolas com os nomes de três ex-secretários regionais e de um ex-chefe de gabinete. Além do ridículo da situação, por alguém se ter lembrado disto numa altura em que deviam estar a pensar em coisas sérias, a medida tem por base um pressuposto errado.
Os que exercem cargos políticos não são mártires ao serviço do povo. Foram lá colocados para uma missão, mandatados pelos eleitos e para agirem em nome destes e de quem os elegeu. Não é propriamente como se entregarem para um serviço de voluntariado em África. Se fizeram o que fizeram, não fizeram mais do que a sua obrigação. Aliás, se não tivessem feito nada , isso sim seria um caso de polícia e não um caso de política.
Este estranho conceito de que os que nos governam praticam o bem e devem ser canonizados por isso, é uma leitura que não encontra razão de ser em democracia. A democracia não é um favor que os governantes fazem ao povo, mas sim o concretizar de funções que juraram por sua honra cumprir, depois de terem merecido o voto e a confiança que lhes foi dada.
Nesta lógica, se Brazão de Castro, Santos Costa e Francisco Fernandes fizeram escolas, permitiram que estas fossem feitas ou simplesmente estavam lá quando a obra foi inaugurada, esse actos nada tiveram de heróico ou transcendente. (Então o caso do chefe de gabinete nem vale a pena comentar. Se o queriam premiar, que é feito da velhinha caneta com monograma?)
O povo não tem de se curvar perante aquilo que nos querem fazer crer tratar-se de algo extraordinário. Fizeram o que lhes competia e mais nada. Não precisam de ser eternizados por isso em placas e escolas. Deixem a toponímia para o que ela sempre serviu e não para exercícios que mais não são do que tentativas de endeusar actos perfeitamente naturais em democracias adultas. Foram eleitos para trabalhar para e em nome do povo. O resto são meros exercícios anedóticos e que, ainda para mais, fazem recordar regimes de má memória, feitos de estátuas e honras públicas.