Depois de anunciado um novo pacote de resgate para a Grécia, eis que surgem muitas incertezas. Desde logo a começar por ser mais um pacote. Depois as reuniões europeias, onde estão sempre a adiar alguma decisão que precisa de ser tomada o quanto antes. De seguida, um choque na Europa que teve repercussões mundiais: possibilidade de referendo na Grécia sobre as novas medidas de austeridade decididas pelo Conselho Europeu. Ainda bem que a Grécia recuou e já não haverá referendo. Digo isto pois iríamos assistir ao descalabro de outros países como Portugal e, quiçá, do euro também. Mas então porquê que Portugal entrava em incumprimento? Se bem se recordam, o nosso país teve que ajudar financeiramente a Grécia. Ao termos dinheiro lá e se não conseguem honrar os seus compromissos, não irão nos pagar. Se não recebemos o dinheiro de volta, não conseguiremos pagar a outros países a quem também devemos e por aí adiante. Estão a ver um dominó? Será um efeito completamente igual. Visto que a Grécia deu um passo atrás, então continuarão a receber remessas europeias e, para já, não entramos em colapso. Acho que por haver tanta incerteza já é um problema cada vez mais europeu e menos grego por não haver decisões assertivas e eficazes. A falta de liderança sobretudo da chanceler Angela Merkel e do presidente Nicolas Sarkozy também têm prejudicado e muito. Se tivessem atacado o problema com maior seriedade não haveria tanta insegurança.
Rúben Sousa, Colaborador da Associação Académia da UMa