Tem sido recorrente nos últimos anos falar-se de boas práticas, nomeadamente em sectores profissionais de prestação de serviços, quando são implementados sistemas de controlo de qualidade ou quando as auditorias são aferidas de modo a testar o comportamento e a atitude dos responsáveis pelos procedimentos em momentos e situações mais delicadas. Podemos dizer que nos dias de hoje os trabalhadores, na maior parte das empresas bem organizadas, vivem subordinados a regras e maneiras de trabalhar, que se regem por padrões rígidos e exigentes. Muitas vezes, são seguidos com alguma desconfiança ou encarados com algum exagero por aqueles que não estavam habituados a tanto rigor. De uma maneira geral, e até há poucos anos, o português habituou-se a trabalhar o necessário e o indispensável, para justificar o posto de trabalho e para garantir o seu salário. Daí que visse com bons olhos a possibilidade de alcançar um emprego num qualquer departamento oficial, ainda melhor se protegido ou com a “cunha” de alguém influente nos gabinetes. Era emprego para a vida inteira, com possibilidade de subir na carreira, mesmo que à custa de concurso, mas fácil já que está tudo escrito e seria só “encornar” mais uns papéis em meia dúzia de noites, sacrificadas à televisão. Os tempos mudaram e o paradigma do funcionário público mudou também. Mesmo que alguns não o tenham sentido, porque metidos em repartições pouco exigentes ou com chefes indolentes e mandriões, que não servem de exemplo ou que não estão aí para complicações ou para exigências que pouco contarão para o seu currículo. O objectivo é uma reforma descansada, depois de uma despedida emocionada com jantar bem regado num restaurante ou tasca quaisquer, já que o que perdura é a figura do “gajo porreiro”, perdulário e pouco exigente. Os últimos acontecimentos mostram ainda que funcionário público já não é profissão segura e que o Estado já não é o patrão mais interessante para um cidadão que gosta de fazer apenas o indispensável e viver descansado entre a repartição, o lar, a missa de domingo e a visita aos familiares e amigos. Mas ia escrever sobre boas práticas. A agulha desviou-se da linha e segui por carril diferente, mas não tanto divergente… Fazer bem as coisas é seguir boas práticas, é seguir com a nossa consciência tranquila, procurando ter uma atitude adequada e trabalhar de acordo com os parâmetros que nos exigem e as qualificações que nos foram certificadas. Fazer bem, significa que executamos no pleno respeito por tudo e por todos. Pelos factores humanos que se evidenciam no nosso dia-a-dia e cuja apreciação valoriza o nosso labor. Pelos outros factores, de índole material ou social, que marcam a nossa integração na sociedade e que, por isso, contribuem para que sejamos avaliados num rol de conhecimentos e desempenhos que hoje potenciam a competência de cada trabalhador. O que este País precisa e espera de todos nós é que saibamos desempenhar bem, com competência, com criatividade e com orgulho. Se as boas práticas é fazer bem, e vice-versa, sejamos sérios para nós próprios, e não esbarremos na negativa presunção de que não deveremos fazer melhor do que os outros fazem, e que se situam num nível mediano. Temos de ser nós próprios a exigir, antes que as oportunidades fujam e para ganharmos o futuro. A ver se mudamos este estado de desespero e de ambiguidade que sempre notamos em quem não está satisfeito, em quem não está habilitado, em quem não merece o lugar que ocupa, em quem, por razões várias (mas conhecidas), deveria dar lugar a um desempregado que não ganhou tal oportunidade.