Ainda no outro dia Richie Hawtin, o guru da Techno também conhecido através do seu alter ego Plastikman, teve a "audácia" de postar na sua página de facebook uma fotografia de um dj em Berlim a carregar uma mala de vinyl, comentando que ao ver esta imagem não sabia bem se estaria em Chicago em finais dos anos 80 ou se estaria em Berlim em 2011, fazendo uma clara alusão ao facto do dj "ainda" usar vinyl, os comentários não se fizeram esperar, e como ele mesmo no outro dia admitiu, foi um dia para esquecer. Para quem acompanhou de perto o movimento Techno o nome Plastikman aparece sempre como um dos parentes pobres da família de Detroit, isto porque essa família era uma comunidade negra muito unida e que olhou sempre com alguma desconfiança para o inglês magricela, a viver no Canadá, contudo Richie Hawtin provou sempre que tinha tudo o que seria necessário para vingar no mundo das máquinas, e foi sempre no meio da tecnologia que o futuro homem de plástico cresceu. Dessa altura até os dias de hoje, Hawtin sempre desafiou todas as "regras", derrubando barreiras e mitos acerca do djing, a sua lógica diz-lhe que o acto de passar música é algo puramente mecânico, que tem que ser encarado de maneira muito fria, e tudo isso só faz sentido actuando somente com tecnologia ultima geração, com tudo programado. Escusado será dizer que no dia em que postou a tal fotografia, literalmente centenas de pessoas acusaram-no de ser um traidor, e um arrogante, que tinha esquecido as raízes do djing, e com tudo isto o velho debate analógico versus digital reacendeu, levando inclusive Richie Hawtin a remover a tal fotografia que ele mesmo tinha partilhado horas antes. Continuo a achar que mais importante do que saber se o dj ou artista, está a usar um giradiscos ou um computador última geração é realmente a música que está a tocar que interessa, a arte é para ser expressa da maneira que o artista assim entender. Eu não partilho a visão de "plástico" de Richie Hawtin, porque preservo muito a minha colecção de vinyl e sou entusiasta da cultura dj, mas no fim do dia se a música que estivermos a passar não for boa quer estejamos com as mãos nos giradiscos, ou com os olhos no ecrã do computador não há audiência que nos aguente...
Michael C, Dj