António Ferreira Tropa de Elite é um filme brasileiro que narra o quotidiano de uma equipa policial no Rio de Janeiro. A história revela-nos uma circunstância que causou polémica nos meios académicos e nas elites do país irmão. O problema dos cartéis de droga e de toda a violência associada devem-se exclusivamente ao consumo de drogas por parte desta franja privilegiada da população, sendo assim é o consumidor rico de drogas que conduz aos assassinatos, às guerras entre gangs e à marginalização de crianças que servem os interesses dos barões da droga. Em suma o sangue e todo este sofrimento devem-se à irresponsabilidade do consumidor. Este argumento pode ser discutível, no mesmo filme vemos jovens pacíficos a consumir, com os usuais motes de paz e amor, e nenhum deles puxa nenhum gatilho. Mas é impossível não dizer que se não houvesse consumo, a violência não desfaleceria, e o Rio de Janeiro seria uma cidade mais segura para todos. Há uma similaridade entre a situação Portuguesa, a antiga metrópole, e o que se passa no Rio de Janeiro. A economia portuguesa de certa forma esteve durante muitas décadas viciada em dinheiro fácil. Dinheiro este que foi desbaratado ao deus dará, por uma elite política irresponsável e inconsequente. O dinheiro fácil é uma maldição para qualquer democracia. Basta ver que os únicos países democráticos que têm uma produção de crude relevante, uma fonte de dinheiro fácil, são a Noruega e o Brasil, e países como a Nigéria, Venezuela ou Angola, que tem uma larga maioria da população indigente, e outros, como a Arábia Saudita ou a Rússia, apesar de serem mais prósperos, tem pouco de democrático. Agora simplesmente temos vermo-nos livres deste vício, e como é sobejamente sabido, o desmame será terrivelmente doloroso. É fácil acusar a Alemanha, os mercados financeiros, a França e a banca de serem credores violentos e agressivos, mas a verdade é que toda esta austeridade deve-se à nossa primorosa condescendência perante a incúria política.