A forma de praticar um desporto é um factor determinante na forma como os adeptos da modalidade a acompanham. No futebol, a forma bonita de posse de bola e o anti-jogo muitas vezes confundem-se, principalmente se os protagonistas dessas jogadas são executantes de qualidade. O anti-jogo, muito praticado nos nossos dias, para além de se tornar aborrecido ao espectador inclui, ainda, simulações, pressões sobre os árbitros e provocações aos adversários e resulta de ideias antigas e da prática de todo um plantel que de maneira egoísta beneficia o clube e os seus intervenientes. A título de exemplo, vejamos o Barcelona. Quando se fala deste clube é impossível ignorar o actual melhor jogador do mundo nomeado pela FIFA: Messi. É inegável a qualidade deste jogador mas parece-me existir algum exagero, pois, na minha opinião, ainda tem muito a provar. Na Selecção conseguiu passar despercebido durante o Campeonato do Mundo, transmitindo cada vez mais a ideia que está refém da técnica e do talento de Xavi e de Iniesta. Tenho curiosidade em vê-lo jogar sem recorrer ao anti-jogo, numa outra equipa, num outro campeonato, em aferir a sua versatilidade e poder finalmente perceber se ele é o menino-prodígio ou o menino protegido. Elogiar não implicar denegrir o outro. Mas na matéria desportiva e, pela natureza humana, tendemos a elogiar utilizando a maledicência. A título de exemplo vejamos a comparação quotidiana entre Messi e Ronaldo, realidade que nós, portugueses, também fomentamos ao desvalorizar o jogador luso, envolvidos num misto de inveja e de pequenez. Alheio ao anti-jogo Ronaldo é um jogador como há muito não se via e como tão cedo não vamos ver. Além de devermos valorizar o que de bom existe entre nós deliciem-se com a excelente prática desportiva que de Ronaldo é protagonista.

Marcos Nascimento, Colaborador da AAUMa