A Madeira não mudou, a democracia continua doente e os madeirenses terão de suportar a "tempestade perfeita": uma sociedade em estado de sitio, uma economia débil, uma divida às costas sem qualquer hipótese de pagar (sem ajuda externa) e um governo regional em rota de colisão com um governo da república. Um governo da mesma cor política que esfrega as mãos para usar os madeirenses para um ajuste de contas pré-anunciado. O nosso futuro está escancarado desde o momento em que Jardim feriu gravemente a credibilidade do país e ofendeu irremediavelmente o líder do seu próprio partido e, ao mesmo tempo, primeiro ministro. O Presidente do PSD da Madeira comportou-se como um bebé birrento que se esqueceu (?) que as suas atitudes não são neutras para o futuro de todos nós. Pagaremos (todos) a sua total irresponsabilidade e a sua obtusa desonestidade. Como em política o que parece é, o governo PSD / CDS está determinado a impor um plano de sacrifícios aos madeirenses em troca da disponibilização do dinheiro necessário para pagar a divida excessiva (imponderada e inútil), as ilegalidades e as irresponsabilidades de Alberto João jardim e até os salários dos funcionários públicos. Mas, há nesta constatação um erro de interpretação grave: não foram os madeirenses que fizeram asneira, que mentiram, que retiraram e desviaram dinheiro, que mostraram um sentido absurdo e irremediável de desonestidade. Quem fez tudo isto tem um rosto: o PSD M de Alberto João Jardim. Mas, o povo decidiu e, paradoxalmente, a Madeira está perante um facto exótico: será o PSD M a julgar em causa própria as suas irresponsabilidades e os seus erros, retirando, a si próprio, toda a margem de manobra para defender os interesses do povo da Madeira. Pior. Os madeirenses estão atirados no meio de uma briga do PSD M com o PSD nacional. Nessa briga perdemos nós e Jardim alimenta (como sempre) o habitual contencioso. Esperemos que tudo isto passe depressa...
Carlos Pereira, Deputado do PS