José Maria Amador Como era de prever, o Dr. Jardim e o PSD/M obtiveram mais uma vitória eleitoral com maioria absoluta. Podem os analistas e comentadores políticos afirmar que foi uma maioria "à tangente" mas o que é certo é que o PSD/M elegeu um número superior de deputados em relação ao conjunto dos deputados da oposição. Perante a gravíssima situação financeira da Madeira, produto de uma grande irresponsabilidade dos governantes da região e do seu líder, os madeirenses preferem, contudo, que seja Jardim a negociar com o governo central até porque, durante décadas, ele levou a sempre a melhor esta contenda permanente, em que o perdão da dívida da região pelos vários governantes do País foi a forma mais expedita e leviana para resolver o contencioso financeiro madeirense. O homem que gosta do "cheiro a pólvora" e de fazer "bluff", dificilmente cederá o lugar de presidente do governo regional a algum sucessor que se mostre mais flexível para negociar o difícil dossier da dívida pública da região. Com mais esta maioria absoluta que lhe confere toda a legitimidade para ser o negociador por parte da RAM nessa decisiva questão - uma dívida colossal de 6 mil e trezentos milhões de euros, três vezes maior per capita que a do Continente e que estava em parte camuflada -, Jardim irá enfrentar certamente, uma posição muito firme do governo central que não cederá às habituais ameaças e chantagens do líder madeirense, até porque não há dinheiro para mais perdão de dívidas, dada a situação económica do País, à beira da bancarrota. No Continente, começa-se a sentir já os efeitos dessa austeridade que inevitavelmente, se estenderá à Madeira. A maior parte das designadas sociedades de desenvolvimento, que foram o expediente do governo regional desde 2004, para obter, directamente da banca, os créditos necessários às obras do regime, está falida e a dívida a fornecedores tornou-se insustentável. A questão que se coloca é a de se saber aonde irá a Madeira poupar para pagar os seus calotes. Como bem afirmava Vasco Pulido Valente na sua habitual crónica do passado domingo no jornal Público, esta irá ser certamente a "história de um sarilho": "a presença de Jardim no Funchal com a sua maioria e os seus sócios, não deixará de provocar conflitos dificilmente controláveis". O que parece certo é que Jardim não se sairá destas negociações com o "rectângulo" com a arrogância que todos lhe conhecem.