Numa época marcada pela recessão económica, pela crise, pela austeridade e outras coisas afins, nada melhor do que aproveitar o momento para justificar os cortes que se realizam ao nível da arbitragem e do ajuizamento desportivo. Sempre assim foi! E sempre assim será… enquanto os árbitros e outros agentes ligados à função, não se unirem para, de uma forma organizada, exigirem ser encarados como parceiros fundamentais ao desenvolvimento de qualquer modalidade. Se há crise, se há necessidade de "cortar", todos têm que fazer um esforço. Não se pode exigir que os agentes da arbitragem trabalhem na base do voluntariado, da paixão, parecendo ser quase uma obrigação colaborar com as suas associações, quando muitos outros técnicos e até alguns dirigentes destacados pelo IDRAM são ainda remunerados para além do seu vencimento base. A ATARAM é a única associação regional que vive unicamente da quotização dos seus associados, da colaboração gratuita de outros em áreas específicas, de alguns patrocínios e ajudas de outras instituições, não recebendo do erário público qualquer verba directa, apenas dispondo do apoio da Administração Pública Regional, ao nível do destacamento de um técnico que é simultaneamente Presidente da Direcção. Mesmo assim, apesar de todo o esforço desenvolvido não é encarada por muitos outros agentes como um parceiro no desenvolvimento do desporto regional (incluindo alguns ligados à arbitragem). Julgamos que isto nada tem de pessoal, apenas revela falta de visão em relação ao modo como se pode trabalhar em equipa na busca do bem comum. Por outro lado, as reivindicações dos árbitros não se podem resumir ao pagamento de verbas para custear a sua função dando razão aqueles que encaram a arbitragem como um custo e não um investimento. Passam por exigir outras condições ao nível da formação, preparação, acompanhamento, treino que os façam evoluir e consequentemente à modalidade onde estão inseridos. O investimento na arbitragem não passa pelo aumento dos orçamentos das associações. Talvez uma melhor distribuição de verbas por parte daqueles que dizem servir o desporto e não servir-se dele ajudasse a termos mais e melhor desporto apesar das dificuldades reconhecidas por todos.
Elmano Santos - Presidente da ATARAM