Churchill dizia e confirmou-o nas urnas: 'Em política, morre-se várias vezes'. Por mais brutal que seja a queda, fruto de derrotas merecidas ou de simples ingratidão do eleitorado, o certo é que o mesmo Povo que eleva aos píncaros um político, rapidamente o derruba e com a mesma velocidade volta a dar-lhe confiança. É assim, desde que foi inventada esta coisa maravilhosa que dá pelo nome de Democracia e é uma das maiores criações da Humanidade. O único modelo justo de convívio entre gente civilizada.

É esta garantia de que a política vive de ciclos, com períodos mais, ou menos longos, que deverá estar presente naqueles que, no domingo, não viram concretizados os seus objectivos, ou foram premiados com o voto das maiorias. Mesmo que a espera possa ser desmotivadora, o certo é que as mudanças são uma certeza científica. A Natureza fez-nos assim e essa é uma das regras básicas a cumprir.

No meio da ressaca eleitoral, por dever de consciência e de uma simpatia e respeito, construídos num convívio profissional que inclui políticos de todos os quadrantes, não poderia deixar de referir três nomes que vão fazer falta ao futuro parlamento da Madeira: Roberto Almada, Leonel Nunes e André Escórcio. Desculpem-me outros, de todos os partidos.

São três casos diferentes mas que, independentemente das ideias e ideologias defendidas que posso, ou não partilhar, representam o resultado da imensa ingratidão dos eleitores. Mas somos assim, todos, votamos por interesse pessoal, por impulso, por clubismo e até porque é o que está na moda. E temos esse direito, felizmente.

Mas não deixa de ser injusto que três dos deputados que mais participaram, ao longo da última Legislatura - Leonel Nunes foi mesmo o recordista - não estejam no arranque de um novo ciclo parlamentar.

Foram, também, principalmente nos casos dos deputados do PCP e do BE, dos que mais ouviram as queixas de uma população que pede ajuda quando é prejudicada pelo poder mas que, viu-se mais uma vez, não é grata no momento de votar. Provavelmente preferiu jogar pelo seguro, ou valorizar números de circo inconsequentes.

No domingo, a maioria do PSD deixou de ser absolutíssima, mas é absoluta e é essa a vontade de quase metade dos eleitores. Quase metade dos madeirenses que foram votar - a opinião dos outros não interessa nem tem valor porque se demitiram das suas responsabilidades - disseram que concordam com o rumo que a Região segue, com tudo o que isso implicará de cumplicidade nas decisões e consequências futuras.

O Povo falou e tomou uma decisão. Com a certeza de que, como é da sua natureza, voltará a mudar de opinião, ficando apenas por saber dentro de quanto tempo.