"Oh João! Não vás acreditar! Uma gaivota, aqui mesmo ao pé de mim! Que fixe!!". Levantei os olhos, surpreendida com este entusiasmo. O episódio passava-se discretamente na mesa ao lado da minha, ontem à tarde, numa esplanada no topo do centro comercial Vasco da Gama, em Lisboa, com uma ambiência fantástica sobre o Tejo e o Parque das Nações. A jovem rapariga, com os seus vinte e poucos anos, num sotaque intenso alentejano, desligava pouco depois o telemóvel. Acompanhada de alguns amigos, estava francamente surpreendida e entusiasmada com um episódio que a mim me parecia totalmente banal! Percebi mais tarde, e pelo desenrolar da conversa, que vinha do interior alentejano, e o seu contacto com o mar e a costa era pouco… Logo, aquela experiência, para ela, tinha um significado diferente. Para mim, era apenas mais um agradável momento, sem nada de muito especial a registar. Outra pequena história que não me canso de repetir… Há já alguns anos, chegava ao Rio de Janeiro num mês de Julho. Ia em férias. Estavam cerca de 22 graus. Eu feliz da vida… Temperatura fantástica para explorar tão bela cidade e ainda para um mergulho na praia de Copacabana. No hotel, um cartaz informativo anunciava um festival de sopas "para aquecer", o motorista do táxi vestia uma gola alta e reclamava do frio e, nas lojas, as camisolas de lã eram as rainhas das montras. Achei… bem, achei piada. Para eles, brasileiros do Rio de Janeiro, aqueles 22 graus não tinham o mesmo significado que para mim. Agora sim, compreendo muito melhor os suecos, dinamarqueses, alemães, ingleses… que, em Dezembro, Janeiro ou Fevereiro percorrem esta fantástica ilha com pouco mais do que uns calções e t-shirt. Para eles, os 17/18 graus da Madeira no Inverno, não têm o mesmo significado que para nós. Mas o que tem isto a ver com Marketing? Tudo. Estamos cheios disto, não estamos? Somos todos diferentes, também na forma como olhamos um determinado produto ou como vivenciamos uma determinada experiência. Somos influenciados pela nossa cultura e pelas nossas vivências. E será que temos este factor suficientemente em consideração quando comunicamos ou quando desenvolvemos estratégias de marketing para abordar potenciais clientes?
Fabíola Pereira Gestora de Marketing