A nova maioria está obrigada a mudar de atitude. Por não ser esmagadora. Por estar já a perder. Os madeirenses são soberanos. Ontem, embora não dando a maioria dos votos a quem sempre ganhou, escolheram preferencialmente o modelo de desenvolvimento a que se habituaram e o estilo populista que apreciam, feito de inaugurações, festas e jantares onde não há lugar para discutir consequências e a ‘fome’ que aí vem. Presume-se que quem se dignou votar, ou a tal foi ilegalmente obrigado, escolheu em consciência, foi honesto e nada deve à lucidez. O voto garantiu ao PSD mais deputados que a toda a oposição junta, uma opção que, sem ser esmagadora, dá aos social-democratas as condições necessárias para governar num novo ciclo. Afinal, como o próprio partido admite em jeito de ‘sova’, a vitória é uma "nova oportunidade" para que Jardim e seus pares "mudem de atitude" em termos de gestão financeira. No mandato em que se exige transparência e saber, responsabilidade e determinação, a margem de erro é bem menor. O PSD terá que transformar balda em assiduidade, desleixo em compromisso e autoritarismo em diálogo. Mas não é o único a ter que mudar de vida. O PS também está obrigado a regenerar-se de vez, dando lugar à competência, para que não repita equívocos, se é que ainda quer ser olhado como uma alternativa geradora de consenso. Foi importante ter um projecto de poder e caras alternativas. Contudo, entre outros pormenores, esqueceu-se que só os candidatos a deputados é que seriam eleitos. A CDU e o BE, ao registaram perdas nalguns casos surpreendentes, deverão repensar estratégias, sem perder o ânimo que bem conhecem, de que “a luta continua”, apesar da ingratidão da política. E até o CDS-PP, a viver horas de júbilo merecido, é chamado a honrar propostas concretas para que a Madeira não perca de vez o pouco que lhe resta. O descontentamento expresso nas urnas, gerador da fragmentação e do desperdício de votos, é severamente flutuante. Ou seja, tem tendência a castigar os que agora cantam vitória e se preparam para prolongar a comédia. O tempo que aí vem desaconselha excessos e exibicionismos ridículos. Os dados essenciais estão lançados. No tempo de austeridade e de ajustamento financeiro que nos espera, os madeirenses aconselham o futuro governo a proceder a cortes cirúrgicos, de preferência sem afectar os rendimentos já escassos de cada contribuinte. A ordem é para que reduza na despesa pública e em particular na pesada máquina administrativa madeirense. E para que não dê cabo da economia regional, das empresas e dos empregos. Ao novo governo e também à oposição, o eleitorado pede o impossível, o rigor e a exigência a que não estão habituados. Aos madeirenses de boa vontade exige-se monitorização permanente até porque, por muito repetitivo que possa parecer, convém lembrar que a democracia não se esgota nas eleições, nem nos partidos. Aliás, as eleições de ontem têm nuances repugnantes. Deram azo a mais uns atentados à qualidade da democracia regional. As irregularidades que configuram crimes denunciados durante o dia pela Comissão Nacional de Eleições envergonham uma Autonomia que se diz superior e que não recebe lições de ninguém. Devia aprender. Não deixa de ser preocupante que alguns festejem atirando explosivos contra quem informa, gritando ser seu sonho ver “o DIÁRIO a arder". Não confundimos as vozes. Acreditamos que a social-democracia dos valores não se revê na mediocridade, nem nas ofensas às mães de quantos aqui trabalham com o único propósito de informar com rigor para que os madeirenses possam decidir com mais certezas.
A nova maioria está obrigada a mudar de atitude. Por não ser esmagadora. Por estar já a perder.
Os madeirenses são soberanos. Ontem, embora não dando a maioria dos votos a quem sempre ganhou, escolheram preferencialmente o modelo de desenvolvimento a que se habituaram e o estilo populista que apreciam, feito de inaugurações, festas e jantares onde não há lugar para discutir consequências e a ‘fome’ que aí vem. Presume-se que quem se dignou votar, ou a tal foi ilegalmente obrigado, escolheu em consciência, foi honesto e nada deve à lucidez. O voto garantiu ao PSD mais deputados que a toda a oposição junta, uma opção que, sem ser esmagadora, dá aos social-democratas as condições necessárias para governar num novo ciclo. Afinal, como o próprio partido admite em jeito de ‘sova’, a vitória é uma "nova oportunidade" para que Jardim e seus pares "mudem de atitude" em termos de gestão financeira.
No mandato em que se exige transparência e saber, responsabilidade e determinação, a margem de erro é bem menor. O PSD terá que transformar balda em assiduidade, desleixo em compromisso e autoritarismo em diálogo. Mas não é o único a ter que mudar de vida. O PS também está obrigado a regenerar-se de vez, dando lugar à competência, para que não repita equívocos, se é que ainda quer ser olhado como uma alternativa geradora de consenso. Foi importante ter um projecto de poder e caras alternativas. Contudo, entre outros pormenores, esqueceu-se que só os candidatos a deputados é que seriam eleitos. A CDU e o BE, ao registaram perdas nalguns casos surpreendentes, deverão repensar estratégias, sem perder o ânimo que bem conhecem, de que “a luta continua”, apesar da ingratidão da política. E até o CDS-PP, a viver horas de júbilo merecido, é chamado a honrar propostas concretas para que a Madeira não perca de vez o pouco que lhe resta. O descontentamento expresso nas urnas, gerador da fragmentação e do desperdício de votos, é severamente flutuante. Ou seja, tem tendência a castigar os que agora cantam vitória e se preparam para prolongar a comédia.
O tempo que aí vem desaconselha excessos e exibicionismos ridículos. Os dados essenciais estão lançados. No tempo de austeridade e de ajustamento financeiro que nos espera, os madeirenses aconselham o futuro governo a proceder a cortes cirúrgicos, de preferência sem afectar os rendimentos já escassos de cada contribuinte. A ordem é para que reduza na despesa pública e em particular na pesada máquina administrativa madeirense. E para que não dê cabo da economia regional, das empresas e dos empregos.
Ao novo governo e também à oposição, o eleitorado pede o impossível, o rigor e a exigência a que não estão habituados. Aos madeirenses de boa vontade exige-se monitorização permanente até porque, por muito repetitivo que possa parecer, convém lembrar que a democracia não se esgota nas eleições, nem nos partidos.
Aliás, as eleições de ontem têm nuances repugnantes. Deram azo a mais uns atentados à qualidade da democracia regional. As irregularidades que configuram crimes denunciados durante o dia pela Comissão Nacional de Eleições envergonham uma Autonomia que se diz superior e que não recebe lições de ninguém. Devia aprender. Não deixa de ser preocupante que alguns festejem atirando explosivos contra quem informa, gritando ser seu sonho ver “o DIÁRIO a arder". Não confundimos as vozes. Acreditamos que a social-democracia dos valores não se revê na mediocridade, nem nas ofensas às mães de quantos aqui trabalham com o único propósito de informar com rigor para que os madeirenses possam decidir com mais certezas.