A pré-campanha para as Presidenciais ocupou muito espaço mediático mas, à imagem do País, revelou-se miserável. É que se falou muito de acções, dinheiro, negócios e lucros, num Estado em crise, endividado e caloteiro, o que confirma o desfasamento existente entre os males que o povo sente e os desígnios propostos pela política insensível e seus agentes. A 23 de Janeiro parece que vão a votos o BPN e o BPP, a seriedade ou a palhaçada, a prosa ou a poesia, o continente e as ilhas, e uma série de outras banalidades e de siglas que as máquinas de propaganda, feitas com alguma imprensa, metem nos alinhamentos noticiosos. Assim, a fase de alegado esclarecimento de como é que cada um dos seis candidatos vai cumprir e fazer cumprir a Constituição, exercer a sua magistratura de influência e garantir a unidade do Estado é comparável à publicidade da pulseira do equilíbrio 'Power Balance': enganosa! Apesar do logro, alguma esperteza local fez por tirar proveito de entrevistas, refeições e arruadas presidenciais. Nem sempre com sucesso. Por exemplo, o PSD-M tudo fez para que o seu futuro fosse decidido com a máxima discrição para que, quando alguns acordassem, o líder recandidato estivesse eleito nas directas controladas. O processo precipitou-se nos últimos dias à conta de Miguel Albuquerque, mais lesto a pedir novo ciclo no partido do que a assumir-se como alternativa. Resta saber se as convicções do autarca serão consequentes até 4 de Fevereiro. A mudança, que muitos dos bem servidos do partido não querem, faz-se com pessoas. Mas será que os militantes de elogio fácil terão coragem de assinar outras proposta de candidatura às directas que não a de quem veneram mas já nem tudo aceitam ou perdoam? O mote eloquente é dado pelo surpreendente silêncio de outros críticos, alguns há muito marginalizados, que se guardam para um congresso onde o fundamental já está decidido. A menos que se tenham comprometido com o futuro presidente, perderam mais uma oportunidade de mostrar o que valem para o futuro colectivo, se é que ainda pensam nos outros. Pedrag Jokanovic, Treinador do Nacional Precisa de calmantes mas o que o Nacional voltou a fazer no 'Dragão' dá sossego, embora vencer o Porto comece a ser hábito. O que importa é potenciar alguns talentos ao seu dispôr e transmitir-lhes dinâmicas de vitória. Franscisco Costa, Presidente da SDM Continua a não esconder que a praça financeira madeirense corre sérios riscos, perde empresas e deixa de ser o instrumento de desnvolvimento que a Região necessita. Os alertas até podem nada alterar, mas convinha que ditassem mudanças. Francisco Fernandes, Secretário Regional Tudo fez para passar a mensagem de que a falta de dinheiro, de gás e de meios nas escolas " é normal" e que as falhas eram obra do DIÁRIO. Foi desautorizado por Jardim quando o presidente assumiu publicamente as dificuldades. E agora? Carlos Pereira, Presidente do Marítimo Permitiu a 'colagem' da instiuição que dirige a um dos candidatos presidenciais. Prossegue assim na politização de um clube que sempre soube qual era a sua bandeira. Desta vez, alguns sócios contestaram a manobra. Pode ter sido tarde! Miguel Albuquerque, Presidente da CMF Passada uma semana, ainda ecoam as advertências feitas neste jornal ao partido a que pertence. E também a recusa peremptória de mais um 'presente' destinado a colocá-lo na prateleira. Só falta oficializar a candidatura.

Ricardo Miguel Oliveira, Director