João Freitas Em 1985 quando regressava do meu primeiro inter-rail por alguns países da Europa, com três amigos, lembro que conversamos com duas jovens portuguesas, estudantes de medicina e que viajavam no mesmo comboio. Elas estavam de regresso ao nosso País do seu estágio num dos hospitais, da ex-Jugoslávia. Do que nos contaram dessa sua experiência, um dos episódios permaneceu na minha memória pela sua particularidade. Elas disseram-nos que nos cuidados médicos ministrados aos pacientes em situações que no nosso País seria aplicada anestesia lá não o faziam e explicaram que isso devia-se à pouca quantidade de anestesia existente e que ficava reservada para os casos clínicos mais graves. A concluírem este relato disseram-nos que estavam impressionadas com a capacidade de resistência ao sofrimento que os pacientes revelavam. Confesso que relembro frequentemente a descrição deste episódio nestes tempos de ansiedade e incerteza que vivemos, em que as notícias com que diáriamente somos confrontados me fazem questionar: Que distância nos separará de vir a experienciar algo como o episódio descrito?!..