O Presidente da República não deve tomar posições sobre o facto de um Governo Regional sustentar (e bem) com dinheiro público um jornal de propaganda, que todas as instituições com responsabilidade na matéria dizem pôr em risco o pluralismo da imprensa numa parte do país.
O Presidente da República não se deve imiscuir nas Assembleias Legislativas Regionais, mesmo que o principal partir do da oposição não consiga eleger um vice-presidente durante anos a fio.
O Presidente da República nada pode dizer sobre o facto de um presidente de um Governo Regional usar linguagem imprópria para se referir ao próprio e a outras figuras de Estado, promovendo a ideia da existência de um inimigo externo, que dá jeito nas urnas.
O Presidente deve ser um amigo das autonomias e por isso deve estar calado, porque “não é um comentador político”.
Estas amarras são reais. Porque se Cavaco, ou outro, desse um puxão de orelhas em quem de direito, cairia o Carmo e a Trindade, pois aqui toda a gente sabe quem manda e o poder que tem. Os madeirenses convivem bem com o autoritarismo interno, mas vêem mal a autoridade que vem de fora. Resquícios da história.
Mas isso não isenta os últimos Chefes de Estado de responsabilidades. Silêncio é cumplicidade e falta de coragem. Ainda não houve quem ousasse com um ‘basta’ efectivo e por isso a Madeira não elege um Presidente, mas alguém quem vem cá, de quando e vez, fazer o elogio público a este povo humilde e trabalhador, como outros tantos.
Não é à toa que é aqui que José Manuel Coelho recolhe mais de sete mil assinaturas para se lançar na corrida a Belém. É um indício claro daquilo que por cá se pensa do cargo. É o presidente Tiririca. Pior que está não fica. Valha-nos o sentido de humor.