Globalização é uma palavra desagradável para muitas pessoas, porque, mesmo que subliminarmente, a relacionam com ambientes ameaçadores ou, no mínimo, desconfortáveis. E têm razão. Os ventos de globalização vêm carregados de ameaças e de mudanças que causam desconforto e ansiedade. Mas, para aqueles que aprenderem a lidar com a mudança, a globalização pode trazer inúmeras oportunidades. Contudo, por muito que nos custe, a globalização é uma realidade contra a qual é inútil lutar e que vem assumindo um impacto crescente na nossa vida, em aspectos como a economia, a influência cultural e o exercício da actividade profissional. Uma das suas consequências é que nos próximos anos cada vez mais pessoas, com diferentes níveis de qualificação, com idades diversas e ligados aos mais variados sectores, se verão compelidas a ir trabalhar para fora da sua ilha e mesmo do seu país, o que obrigará a uma mudança duma mentalidade regional para uma mentalidade global. É devido a esta quase inevitabilidade que eu defendo que a nível familiar, escolar e empresarial se deverá, tão rapidamente quanto possível, investir na criação ou reforço de competências fortaleçam esta mentalidade global e que preparem os Portugueses para os novos desafios que se avizinham. Melhoria do uso de línguas, domínio das competências de gestão intercultural para melhor entender outras culturas, reforço da resiliência, são exemplos de áreas em que este investimento será recomendável. Seja como for, no futuro trabalhar em regiões diferentes (mesmo que em certos períodos da nossa vida) não vai ser uma opção para se ganhar mais dinheiro, mas, essencialmente, uma obrigação para quem quer desenvolver-se e fazer carreira. Não quero ser desagradável, mas é melhor ir-se mentalizando.

José Bancaleiro, Managing Partner