Os governantes e os políticos queixam-se correntemente do efeito e repercussão de certas notícias, pelo que podem provocar de mau numa comunidade, duma forma particular quando envoltas em algum sensacionalismo. Podem, nalguns casos, levar o leitor a tomar a árvore pela floresta, e ter resultados nefastos na opinião pública. Isso é verdade. Mas a notícia anda solta e não se pode, por questões diversas, mas muito por razões éticas e de liberdade de imprensa, agarrá-la, sequestrá-la e libertá-la apenas quando nos dá jeito ou se verifica que fará menos estrago. Tendo em conta a maneira como hoje a informação se propaga, é praticamente impossível cuidar a comunicação e direccioná-la para um determinado canal de divulgação que se ache, porventura, o melhor para credibilizar a notícia e lhe dar a devida dimensão, evitando que a sua propagação faça mais estrondo do que o simples anúncio de um facto. Em determinados círculos especializados, acreditamos que isso seja possível. Mas esse controlo é pouco ético e, por vezes, desacredita a informação que deve ser verdadeira e espontânea. Os governantes e os políticos devem estar preparados para enfrentar estas situações e actuar de maneira que o esclarecimento não pareça uma desculpa esfarrapada, nem que leve o cidadão, a quem se dirige a mensagem, a pensar que lhe estão a vender uma ideia diferente e menos real do que aconteceu e/ou está a acontecer. Vem tudo isto a propósito dos desastres naturais que têm assolado a Madeira. São resultado dos tempos que hoje se vivem em todo o mundo, em que todos nos culpabilizamos pelos erros que provocaram estes desarranjos climatéricos. Nós, aqui neste pedaço do Atlântico, não os podemos evitar, mas nem por isso devemos ficar resignados à nossa sina de infortúnio perante as intempéries, ou com menos vontade de continuarmos a promover o que de bom ainda temos para oferecer a quem nos visita. E temos muita coisa! Mas não devemos descurar nas acções que poderemos empreender para evitar efeitos mais terríficos. E isto já diz respeito a nós, Madeirenses. Ontem foi divulgado um balanço preliminar do Instituto de Meteorologia, em que aponta que a Madeira teve em 2010 o seu ano mais chuvoso do último século e meio. O nível de precipitação atingiu 1.469 milímetros no Funchal, muito acima da média de 1971-2000 (868 milímetros) e o mais elevado desde 1865. O ano também foi mais quente na Madeira, tal como aconteceu na generalidade das cidades portuguesas. Estamos perante uma daquelas notícias incómodas, que não pode ser escondida, e que, necessariamente, terá uma repercussão negativa na promoção da Madeira no exterior. Contudo, cabe agora às entidades regionais, a todos os cidadãos representados pelas suas organizações de classe, analisarem os efeitos que daqui podem resultar e procurar o antídoto para tanta chuva que nos ameaça. A análise terá de ser feita com a ajuda de quem sabe da matéria, e os serviços de promoção turística deverão estar aptos a dar a resposta certa e clara, perante uma situação que deve ser encarada com profissionalismo e realismo, e não com dramatismo e inconformismo inaceitáveis que culpam os que levam as notícias, com verdade e rigor, até ao público… Essa é uma das nossas missões. Que os outros profissionais saibam desempenhar a sua. Um Bom Ano para todos, com força de vontade, trabalho e objectivos claros!