Desde o início do ano que alguns jornais e a televisão pública adoptaram um novo idioma para comunicar. Dizem que é o resultado de um acordo ortográfico, assinado entre Portugal, o Brasil e os outros países que falam (falavam) Português. Regras novas que, se nada acontecer entretanto, deverão estar completamente assimiladas até 2017. Uma revolução que muda muita coisa, mas que não responde a uma pergunta simples: para quê?

Não sou, de forma alguma, adversário de mudanças mas, como a maioria dos portugueses, gostava de saber qual a utilidade, por mais modesta que seja, deste acordo ortográfico. Pelo que percebi, o Português passa a ser uma adaptação da versão que se fala no Brasil, sem consoantes mudas, com meses em letra minúscula - estamos em janeiro, não esqueçam - e com outras particularidades que vão conduzir às maiores confusões. Uma das mais engraçadas vinha na crónica de um jogo que não teve graça nenhuma: o 'meu' FCP perdeu com o Nacional perante mais de 30 mil 'espetadores'. Muita gente, certamente, mas só não explicavam se tinham levado os espetos de casa ou se os tinham recebido à porta do estádio.

Não me parece que isto seja para vender mais livros, de um e do outro lado do Atlântico, porque aquelas baboseiras do Paulo Coelho continuam a escoar bem, independentemente da língua em que são impressas e autores brilhantes como Jorge Amado serão sempre brilhantes, nem deve ser para levar o Saramago para onde ele já chegou, há várias décadas. Até prova em contrário, foi um acordo para dar trabalho (e dinheiro) a uns milhares de 'especialistas' que não tinham nada que fazer. E, claro, para imprimir mais uns milhões de manuais escolares que vão passar a ser escritos noutro idioma. Uma jogada bem montada, não há dúvida, com a cumplicidade total dos vários Governos que passaram por este País.

O Inglês, uma língua falada em mais países do que a nossa, também tem várias versões. Há o de Inglaterra, o da Escócia, o de Gales (esse é bem curioso), o dos Estados Unidos, o da Austrália, o das Ilhas Virgens, etc. Até hoje, não perderam tempo e dinheiro a elaborar qualquer acordo ortográfico. Curioso, não é?