Comecemos o ano com uma introspecção acerca da qualidade do Folclore da Madeira, nas actuações dos diversos grupos nas festas de natal e ano novo. Qual a imagem que transmitimos aos que nos visitam? As conclusões não são animadoras… È triste observar um tão baixo nível de representatividade da cultura popular madeirense, principalmente para aqueles que ao longo de várias décadas, de forma voluntária mas determinada têm defendido a preservação, dignificação e valorização da nossa identidade. Nas últimas anos muito tem mudado no nosso folclore, muita formação tem sido desenvolvida por várias instituições, entre as quais a Associação de Folclore e Etnografia da Região Autónoma da Madeira (AFERAM) mas, a nível das apresentações dos grupos de folclore na época de Natal nas principais ruas do Funchal, pouco tem mudado. Que representações etnográficas e espectáculos de folclore estamos a proporcionar a todos os que nos visitam? Não será tempo de reflectirmos, se estamos a ter as melhores estratégias? Não deveriam os diversos intervenientes, os promotores do evento, os grupos e as associações da área compartilhar e considerar outras soluções? Será que todos os grupos que se apresentam têm qualidade? Ou basta só a boa vontade dos seus dirigentes? Temos efectivamente grupos de folclore com elevado nível de representatividade e que se esforçam por promover com dignidade a nossa terra. É tempo de valorizarmos o nosso trabalho, sabendo o que fazemos e fazendo-o bem. A Madeira merece que todos nos empenhemos em representar bem as tradições culturais do nosso povo.
António Vale, Ass. Folclore e Etnografia